PENSAMENTOS, DEVANEIOS E INQUIETAÇÕES

CRÔNICAS DO COTIDIANO, DO PONTO DE VISTA FEMININO,ARTÍSTICO, FILOSÓFICO, EMOCIONAL E SOCIOLÓGICO.

QUEM SOU EU...

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São Paulo, SP, Brazil
SOCIÓLOGA,HISTORIADORA, EDUCADORA E ARTISTA PLÁSTICA. Sou buscadora e curiosa por natureza. Sou bruxa, sem poções e crendices infundadas, observo e me integro à terra e aos seus movimentos. Amo a vida, os animais, plantas e a natureza. Solitária por vocação, pois nela busco forças e encontro repouso. Avessa aos ritos impostos e às convenções sociais, procuro a minha verdade. Sou arisca e desprezo dogmas, eles são a perdição da humanidade. Sou humana e falível. Busco o melhor de cada crença. deletando as manipulações. Amo o silêncio, a força da natureza e o equilíbrio cósmico, acho que sou inqualificável... Sou real e palpável, mas também sei ser etérea e indecifrável, se me convier. Amo o conhecimento, o mistério, as brumas da sensibilidade. Se quiser me conhecer melhor, siga-me...

BEM VINDOS!!!!!!

Sintam se à vontade nesse pequeno espaço onde compartilho minhas idéias, pensamentos, denuncio injustiças, lanço questionamentos, principalmente em relação ao universo feminino e toda a sua complexidade.
Minhas postagens são resultados de pesquisas na internet, caso houver algum artigo sem os devidos crédito, por favor me notifiquem para que eu possa corrigir uma eventual falta.
Obrigada por sua visita.
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27 janeiro, 2011

MEMÓRIAS FELINAS

UMA VIDA INTEIRA DE CARINHO, DEDICAÇÃO, AFETO E LEALDADE, DE REPENTE, UMA DOENÇA DOLOROSA  VEM E ARREBATA AQUELA BICHINHO QUE VC TANTO AMA. AOS PRAGMÁTICOS, COM CERTEZA DIRÃO; QUANTA INFANTILIDADE, IMATURIDADE, OU FALTA DO QUE FAZER...
DANEM-SE AOS CRÍTICOS, POIS O FATO É QUE EU AMO OS ANIMAIS, ELES ME FAZEM MAIS FELIZ QUE OS HUMANOS, TÃO CHEIOS DE FALSIDADE, SARCARMO, DEFEITOS INCONFESSÁVEIS ATÉ...
O FATO QUE MINHA PET SÓ ME DEU ALEGRIAS DURANTE DOZE ANOS, MERECE UMA LÁGRIMA, OU MAIS, UM RIO DE PRANTO, SENTIDO E CHEIO DE SAUDADES.
O TEMPO PASSA, E AMENIZA NOSSAS DORES, MAS TAMBÉM AGREGA DORES E  SAUDADES PASSADAS, ENTÃO ACABO CHORANDO PELA BRUSCHETTA, PELA MINHA MÃE, MEU PAI, AMIGOS, AMORES SAUDOSOS, FRUSTRAÇÕES QUE NÃO SARARAM.
VIRA UM RIO CAUDALOSO DE CHORO, POIS A VIDA SÓ NOS ACRESCENTA CHOROS E SAUDADES ACUMULADAS.
MAIS UM PET QUE SE FOI, MAIS UM DIA TRISTE A VIVER, MAIS UMA CONSTATAÇÃO DE SOLIDÃO EXISTENCIAL QUE NÃ HÁ PSICANALISTA QUE DÊ JEITO.
A VIDA SE FAZ PESADA A CADA DIA, AS TINTAS DE EMOÇÃO SE TORNAM CINZAS.
A MORTE SEMPRE MOSTRA SUAS GARRAS ATRAVÉS DO COTIDIANO, ALIÁS COMO É PATÉTICA A MORTE, NADA TEM DE ROMÂNTICA, TAL COMO AS MORTES DOS ROMANCES, COM DIREITO A PERDÃO, SUSPIROS, MISTÉRIOS REVELADOS AO ÚLTIMO ESTERTOR, O CHORO SENTIDO E VERDADEIRO DAQUELES QUE LADEAVAM O LEITO DE MORTE, ACALENTANDO A ALMA FRÁGIL, COM MIMOS, REZAS, VELAS E EXTREMA-UNÇÃO. ISSO ERA MORTE BONITA, DIGNA DE UMA ÓPERA, PASSÍVEL DE UM RÉQUIEM.
ATÉ O SUICÍDIO TINHA LÁ SEU LIRISMO, COM VENENO LETAL, DESFALECIMENTO ELEGANTE, ATÉ POSE NA CAMA, PARA QUE OS QUE FICAVAM, PUDESSE VER UMA CENA DIGNA. O ENTERRO ERA UM GRAND FINALE,VIDE FLOREBELA SPANCA, QUE NO SEU ANIVERSÁRIO CONVIDOU SEUS AMIGOS, SUBIU AO SEU QUARTO E SE MATOU, UMA PERFORMANCE DE POETA, SEM DÚVIDA, COM DIREITO À CHUVA, UM CORTEJO LENTO, O LUTO TOTAL, COM VÉU COBRINDO O ROSTO DAS MULHERES, DANDO UM CHARME DARK E ENCOBRINDO UM POSSÍVEL SORRISO DE SATISFAÇÃO, TUDO EM NOME DO DECORO E DO  MOMENTO SOLENE.
O TIRO ERA NO PEITO, PARA ARREBENTAR O CORAÇÃO SOFRIDO, TIRO NA BOCA OU NA CABEÇA ERA COISA DE MILIONÁRIO FALIDO, ISSO ERA VETADO AOS FAMILIARES, COISA PARA POLÍCIA, CAIXÃO LACRADO E  SIGILO TOTAL, VIRAVA MISTÉRIO E SEGREDO DE FAMÍLIA. AOS AFOGADOS, SE O CORPO NUNCA MAIS FOSSE ENCONTRADO, TANTO MELHOR, RESTAVA A LEMBRANÇA BELA E TRISTONHA DE ALGUÉM ALQUEBRADO PELA DESILUSAO LEVADO  PELAS ÁGUAS, E SE FOSSE LEVADO PELO MAR, ONDAS FURIOSAS, ENTÃO ERA A GLÓRIA, O ARREBATAMENTO PELA NATUREZA PARA JUNTO DE NETUNO.
MAS MORRER HOJE EM DIA, QUE FALTA DE GLAMOUR, A MORTE PODE SER VIOLENTA, VIRA NOTÍCIA, SE FOR NUM HOSPITAL, A SOLIDÃO É CERTA, SÓ TERÁ POR COMPANHIA OS TUBOS, O SORO, OS MORIBUNDOS E O DESCASO DOS ENFERMEIROS ÁVIDOS PARA TOMAR UM LANCHINHO
OS GATOS SÃO SÁBIOS, MORREM SEMPRE LONGE DO DONO, DISPENSAM O CHORO DA DESPEDIDA, SALVO SE IMPOSSIBILITADO DE FICAREM SÓS PARA MORREREM Á contragosto nos braços de seus donos lacrimosos. SÃO SOBERANOS ATÉ NA MORTE.
MORREM QUIETOS, EM LENTA AGONIA, EM LUGAR NÃO SABIDO, DAÍ A LENDA DO "GATO SUMIU", SUMIU NADA, FOI MORRER EM PAZ, TALVEZ SABEDOR DE COMO A MORTE É PATÉTICA E DESELEGANTE. ESTOU QUASE INDO AO CEMITÉRIO, TOMAR UM COPO DE VINHO TINTO SUAVE, OBSERVAR O CANTO DOS PÁSSAROS E O CAIR DAS FOLHAS, PARA PENSAR NA INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER E COMO A NOSSA EXISTENCIA É FRÁGIL....






S

20 junho, 2010

TRÊS ANOS SEM MAMMY

O TEMPO PASSA..
A SAUDADE AUMENTA,
O VAZIO SE FAZ CADA VEZ MAIS PRESENTE, E COM ELE AS  DOCES LEMBRANÇAS DE MOMENTOS SINGELOS E FELIZES.
CURIOSO, TUDO DE RUIM, DE MÁS LEMBRANÇAS, ENFIM, OS DEFEITOS, FORAM ESQUECIDOS.
NÃO ME RECORDO DE NENHUM...
SOBREVIVI, É CERTO, MAS FALTA ALGO, NÃO É A MESMA COISA.
HOJE TENHO MENOS SONHOS, TENHO EXCESSO DE LUCIDEZ, DE REALISMO PRETO E BRANCO.
ME TORNEI PREVISÍVEL.
MAS NESSA DATA TÃO TRISTE, DEIXO ESSA NOTA DE SAUDADES E RECONHECIMENTO POR TUDO , E AS MINHAS DESCULPAS POR NÃO TER SIDO UMA FILHA MELHOR.
SAUDADES, AMOR, E ATÉ UM DIA....

17 maio, 2010

A mulher e a Lua

Desde os tempos imemoriais, nós mulheres temos uma ligação ímpar com a Lua.
Como ela, somos cíclicas, nosso calendário interno é regido pelas fases lunares, nosso humor é variável, tal qual como o tamanho  dela.
A lua, dependendo de sua fase nos mostra sua face de forma enigmática, com variantes tantas vezes incompreensíveis aos mortais.
E nosso ciclo menstrual, é pontuado por determinada lua, não acredita? anote então, mês a mês, e logo verá por qual lua vc é regida.
Nossa Menarca é regida pela Lua Crescente, nossa plenitude, pela Lua Cheia, e o nosso climatério, pela LuaMinguante.
A Menopausa é coroada pea Lua Nova, invisível, misteriosa e a nossa velhice pela Lua Azul, poderosa e pouco conhecida.
Somos lunáticas, incompreendidas, magnéticas e despertamos uma emoção só comparável ao êxtase que a nossa amiga provoca na humanidade.
A lua que rege as marés, também retém o líquido de nosso corpo, provoca vazantes e marolas dentro de nós que médico nenhum consegue explicar a contento
Desde a antiguidade nossa amiga Lua é reverenciada pelos povos, devido ao seu mistério e beleza, assim como nós, se bem que, muitas vezes fomos vilipendiadas por semos indecifráveis.
Salve Lua dos lunáticos, insanos, apaixonados, solitários, musa dos lobos e enamorados.
Se precisar de energia, olhe a Lua, se busca inpiração, olhe a Lua, se está enebriada pelo amor ou pela contemplação, eis a nossa Musa no céu, quieta, soberana a nos dar a justa medida da nossa necessidade.
Somos irmãs da Lua, façamos dela a nossa confidente.
Vocês verão a diferença na magia da transformação.

09 maio, 2010

MEU VELHO PLEYEL

PhotobucketUm velho piano, fabricado em meados de 1870 e 1890, velhinho mesmo...


Fabricado em jacarandá da Bahia, madeira nobre, cortada, foi levado em forma de toras ou pedaços  para a França, onde é transformado num pequeno piano de estudo, pés torneados, detalhes em metal, apenas dois pedais, pois é modesto, mesmo assim, um piano.
Volta, desta vez, em forma de um lindo pianinho, destinado à moças delicadas, de mãos trêmulas, inseguras perante o enigma das partituras, mas que, com o passar do tempo, se tornavam hábeis, prontas para os saraus , onde de acordo com a desenvoltura da pianista, determinavam um bom casamento, através um bom partido, que lhes garantiriam a segurança social da época e a satisfação da família.
O tempo passa, e o pequeno piano cumpre o seu papel, auxilia o destino das moças casadoiras, se torna o algoz dos moleques sem talento, alvo de dedilhares furiosos de crianças que chegam na casa dos outros e aprontam estripolias com o velho teclado de marfim, que se perdeu no decorrer da sua longa vida.
O tempo passa, e piano não é mais sinal de status, torna-se um trambolho, coisa sem função...
Quem sabe não vai parar num bordel decadente, que teima em manter a aura de lugar chic, onde polcas mal tocadas, nem são percebidas, pois os frequentadores estão no afã da satisfação barata e passageira.
Mais algumas décadas se passam, e o pianinho  vai se mudando, ao sabor da vontade e da necessidade dos donos que se desinteressam pelo instrumento musical, outrora tão querido, lustrado e admirado como objeto de orgulho que quem o tivesse sob seu teto.
Talvez até em cortiço ele tenha parado, no máximo numa casinha de vila, morada de uma viúva, ou uma solteirona que sobrevivia com as aulas de piano, quem sabe.
Ele tem uma marca de ferro de passar, fruto do descaso e da ignorância de quem o tinha, e assim o tempo passou...
Tanto sofreu, tanto se deteriorou que alguém, na tentativa de deixá-lo mais apresentável, teve a idéia de pintá-lo de branco!!!
Isso na década de setenta.
Encostado numa pequena loja, lá estava ele esperando por mais um dono disposto a cuidar dele.
Numa tarde qualquer uma senhora passa distraídamente com sua filha, para comprar pão para o café da tarde. A moça se detém ante o piano branco, um tanto amarelado, mas ainda provido do glamour de outrora.  e se encanta por ele.
Aí começa a história do meu Piano Pleyel, modesto, mas tão charmoso, presente ganho com tanto amor e pago à duras penas pela minha mãe.
O tempo passa, eu dedilho as notas simples da cartilha musical, solfejo  como uma louca para decorar as frases musicais, detono com Chopin, toco hinos religiosos para deleite de minha mãe, arranho músicas populares, enfim, meu piano volta à vida depois de tanto abandono. Mas a vida continua, os afazeres tornam o meu contato como ele cada vez mais escasso, e mais uma vez a história se repete.
Minha mãe adoece, e sempre que  pode eu toco para ela, então pressentindo que seu tempo nessa terra é curto, resolvi fazer uma homenagem ao seu esforço  e decido reformá-lo.
O profissional me orienta e é bem claro que o valor a ser pago será menor que o valor comercial, mas isso não me desanimou.
Um piano pintado de branco, mal tratado, será que tinha rachaduras, buracos de cupim, imperfeições escondidas pela tinta?
Como saber, mas decidi a restaurá-lo mesmo assim.
O restauro leva mais de um ano, e quando ele ficou pronto foi emocionante!!!
Não havia rachaduras, nem buracos de cupim, lá estava aquela madeira majestosa, avermelhada, cheia de veios na madeira mais escuros e brilhantes, lindo e imponente como só o jacarandá sabe ser.
Depois do restauro veio a afinação, o cuidado constante, a flanelinha pra manter o brilho, etc...
Minha mãe ainda teve tempo de ver meu pianinho reluzente, ficou tão feliz que jamais vou esquecer o seu sorriso.
Ela se foi, hoje já não toco mais com frequência, mas lá está ele, imponente, no centro da sala, lugar de honra como ele merece.
Enquanto vida eu tiver, meu querido piano sempre estará comigo.
Penso nas pessoas, talvez escravos que transportaram a madeira, no desembarque, na travessia pelo Atlântico, na chegada a Paris, no trabalho dos artesãos, no transporte em tração animal até o porto, a longa travessia de volta, na chegada,  no transporte até a loja, no primeiro dono, na recepção, na alegria da família, e também, na trajetória obscura do meu pianinho querido.
Quantas mãos, músicas, lágrimas derramadas, sentimentos despertados pela música, sonhos realizados ou desfeitos junto ao teclado....
Lá se vão no mínimo 110 anos de história, todos já se foram, morreram...
mesmo em minha casa, quantos que o tocaram não estão mais aqui, mas o som  da música por eles executadas  ainda estão em meus ouvidos, cheios de saudades e lembranças.
Essa é mais uma história, sem pretensões literárias, somente uma lembrança de um presente que representou o amor que minha mãe tinha por mim, e não poupou esforços em me fazer feliz.
Hoje é o segundo dias das mães sem ela, por isso escrevo essas linha como forma de homenageá-la de coração.

06 maio, 2010

UMA TARDE DE OUTONO QUALQUER

Tarde linda, tranquila..
Tarde que me remete à lembranças doces e saudosas.
Tardes com minha mãe, tomando um chazinho, ora com bolachas, bolos e guloseimas, ora  com pãozinho com
manteiga, tudo regado com repetecos das canecas cheias até a borda.
As conversas eram intermináveis, risíveis ou dramáticas, tudo dependendo do humor dela, que adorando as notícias trágicas do dia a dia, aumentava um ponto na sua narrativa, pontuada de sua própria interpretação da vida.
Hoje me pego na ânsia de contar uma novidade, uma notícia de morte de alguém conhecido de nós duas, uma fofoca divertida ou apenas um relato do dia, mas aí vem a tristeza, como contar , se ela ela já se foi?

A notícia fica na garganta, assim como o soluço de uma dor que não passa.
Ai que saudades das tardes de outono, onde a conversa corria solta e eu, até dava um cano no trabalho, porque a prosa estava boa e, depois do chá batia uma indolência.
Minhas tardes ficaram vazias, sem ninguém  pra contar nada, ou jogar conversa fora...
Ouço o teclar furioso de minha filha na internet, alheia aos meus pensamentos, ai de mim se tentar contar alguma bobeira, uma notícia de morte, um comentário de notícia pontuado de emoção própria da suave melancolia de quem se aproxima  da meia idade, o outono da Vida.
A vontade de tagarelar fica na intenção, afinal na idade dela, não se tem ouvidos para essas coisas prosaicas.
Olho pela janela e vejo a luz da tarde, como é linda essa  luz de Outono, mesmo que seja na cidade.
A natureza, os prédio adquirem um contorno diferente, o verde é mais encorpado, por falta de uma definição melhor, o som dos pequenos aviões voando preguiçosos pelo céu, tornando esse instante deliciosamente agradável e tranquilo, é muito belo e até bucólico.


Fica aqui nas minhas divagações, a doce lembrança de uma tarde qualquer de Outono, que na companhia dela tinha sabores, alegrias que só quem viveu pode contar.

19 março, 2010

A casa triste


Nascida na casa triste, entristecendo a infância, juventude, enfim,  vida...
Tentando alegrias, colhendo frusrtações, sempre na esperança de dias melhores, mas como?
Nascendo na casa triste, que guarda em suas paredes, resquícios de mágoas e lágrimas.
A casa é grande, velha, tem história, tem ranço de mágoa e honra a tradição.
Fazer o quê?
Se morar na casa triste, entristece a vida, as cores se esmaecem, as alegrias se dissipam, cria vinco no canto da boca, as palpebras caem lentamente, quem sabe, para taparem um pouco o horror da vida, os desencantos do amor...
os poros se dilatam, talvez cansados da tonicidade da juventude, que a todo custo busca a felicidade.
Até o sono é leve, nada reparador, intercalado pelo fogo do climatério, insano, talvez a memória coletiva da santa inquisição, daí pra tristeza, é só questão de tempo...
As unhas lascam, o cabelo vem arrepiado, se cortado, não mantém o corte, se longo, é quebrado e opaco, cabelo cansado, sem brilho, triste....
A casa tem escadas, mil vezes pisadas por gente que já se foi, e por outras que não voltarão, poucas ainda hão de chegar...
O jardim é patético, de um verde mortiço, uma grama chimfrim, algumas plantas ressequidas, embora regadas, tristes de dar dó....
A calha é um mistério, não há conserto que dê jeito
O silêncio é desconcertante e um dia é igual ao outro, triste....
A casa foi reformada, pintada, limpa, mas não se consegue remover a tristeza, ai de quem viver lá por toda vida, terá uma existência medíocre, invisível, desprovida de emoções e felicidade, é a força da casa...
A caixa de correio já não recebe cartas, só as contas mensais e as cobranças frias e impessoais.
A escada sempre foi feia,, qdo chove ela se transforma numa cachoeira de folhas e águas furiosas, que molham sem cerimonia os sapatos e a roupa, criando um mal-estar danado.
As telhas, velhase desalinhadas, permitem a infiltração e um sopro bruxuleante de vento, que o dono teima em consertar, mas como é velho....
Assim termina mais um dia, triste, chatinho mesmo, como aquele pó, bem fininho que não se consigue remover, e não dá pra limpar como se deve, triste mesmo.
Ai de quem morar nessa casa, longe da alegria, longe da felicidade  e  longe da vida.

14 março, 2010

O PORTAL DOS CINQUENTA

Cinquenta anos, fase muito delicada essa
Vc já passou da metade das páginas do seu livro da Vida, ao menos que vá viver mais de cem anos.
Mas a lembranças lá estão, tão frescas em nosso coração, aquela vontade de voltar no tempo e corrigir as burradas ou de resgatar amores, amizades perdidos no tempo...
Olho no meu  álbum de infância e lembro com detalhes como aquelas fotos foram tiradas, a emoção de cada roupa comprada, e a expectativa de como aquela aquisição mudaria a minha vida,kkkk...
Lembro me de quanto eu era infeliz, por pequenas frustrações, mas tb até me assusto com a minha sobriedade, grandeza e coragem para enfrentar passagens muito, mas muito tristes, que hoje, não sei se teria forças.
Ao longo do tempo, tb fui percebendo o quanto nossa vida é feita de ciclos, sejam eles de ordem biológica, emocional ou profissional. Ando meditando sobre cada um deles, e o que tem me chamado atenção, é a "dor" dos ciclos biológicos e no quanto eles nos transformam...
Citando o exemplo da menarca, me lembro da alegria e celebração da minha mãe, qdo eu senti, na rua do meu bairro, a sensação de que algo gosmento e misterioso escorria pelas minhas pernas.
Corremos pra casa, e lá estava meu calção de ed. física, folgado, de algodão vermelho,  meio borradinho com a minha primeira menstruação.
Foi uma festa, minha mãe fez um chazinho de erva cidreira bem doce, comi bolo até me empanturrar, e qdo veio a cólica, tomei dipirona, coloquei uma bolsa de água quente sobre o ventre e assisti tv a tarde toda, nem fiz lição naquela dia!!!!
Nisso fui afortunada, nem todas as menarcas são celebradas com tanto entusiasmo, lembro-me até da data, vejam só:08.03.1970!!!!!
Dia Internacional da Mulher, dia esse que sempre me surpreende com novidades de âmbito fisiológico, sexual e de saúde, mistérios femininos.....
as hoje falarei da Menopausa, que ao contrário da Menarca, que me trouxe espinhas, ansiedade, amores platônicos e patéticos, buscas pela felicidade perdida não sei onde, falarei desse Ciclo, a qual defino de Portal.
Esse sim é sinistro, difícil de lidar,pois para mim coincidiu com uma fase de perdas explicando melhor, a morte de minha mãe, que só agora depois de quase três anos, é que estou vivenciando de fato o luto, as dores mais sentidas da perda e a constatação que a morte existe.
Mas voltando ao âmbito fisiológico, me lembrei de um dia chegar ao banheiro de casa e ver minha mãe sentada dentro da banheira, toda ensanguentada, chorando e dizendo que ia morrer, com olhos de pavor e desamparo, é claro que ela não morreu, pois foi "apenas a sua última menstruação", entendida por mim, até com desdém, que todo aquele piti, foi por causa de ignorância, depressão, enfim, despreparo por parte dela, e que eu não ia cair nessa...

O tempo passou, as águas rolaram e tantas coisas boas e dolorosas me aconteceram, até que um dia, eu fui tomada por um fogo da cintura pra cima, um embrulho no estômago e um calor que subia pelo meu colo, rosto e ai para as orelhas e lá queimou por intermináveis minutos, passando em seguida e me trazendo a lembrança do desespero de minha mãe.
Os ciclos foram ficando irregulares, fui à gineco, passei a tomar um remédio à base de isoflavona que me aliviou, mas não deu cabo dos calores.
Se fossem só calores, a gente dava um jeito, mas algo mudou dentro de mim, a alegria( no sentido de leveza) foi embora, passei a ser muito racional, acordando pela manhã com a pergunta : o que estou fazendo nesse mundo, minha existência será só isso? Enfim, é sempre um despertar triste, no decorrer do dia a coisa vai melhorando...
Mas nesse intervalo de tempo, houve uma interrupção no meu ciclo, no dia08.08.2008, lá veio ela, com cólicas e tudo mais...

Passou-se mais de um ano e no dia 23 .09.2009, aí sim tive uma senhora hemorragia que tive que chamar uma ambulância para ir pro hospital, lá fui examinada, e constatado que não  havia mioma, pólipos, etc, o médico me dispensou de forma lacônica sem me prescrever nada, quem sabe, pensando algo como: mulher tem cada uma...
claro ele jamais vai vivenciar isso!.
Sai de lá cambaleante com uma toalha encharcada entre as pernas a procura de um taxi, pois não fui dirigindo, e com uma sensação de morte e pavor no meu coração, talvez a mesma que a minha mãe sentiu naquele dia na banheira, e eu, posteriormente desprezei, além de me sentir humilhada e constrangida por estar naquela situação e não ter ninguém comigo.
Minha narrativa não termina aqui, mas vou parar um pouco, pois estou sentindo os calores e vou me banhar. Depois retorno....

14 fevereiro, 2010

QUEM SOU EU...

Quem sou eu: Respeito para ser respeitada.
Busco a paz e a serenidade.
Não julgo, pois o ser humano é passível de erros.
 Não brigo, eu consigo.
Ouço porque aprendo.
Observo, sempre...
Nunca digo o que penso logo de cara, é necessário tempo para se tirar conclusões.
Sou avessa à convenções, cada situação demanda uma reação.
Sou paciente, pois sempre obtenho o que quero no momento certo.
Deleto o que não me interessa.
Esqueço o que não me é relevante.
Relembro tudo o que me é caro.
Busco o caminho da diplomacia, é tão bom chegar a um consenso sem ferir ninguém.
Fico feliz com o sucesso alheio, já que o meu está guardado.
Nada invejo, sempre chegou aonde quero.
Adoro a simplicidade pontuada com refinamento.
Gosto do silêncio, afinal ouço os sons mais sutis.
Amo a solidão, afinal ela é sempre uma grande companheira.
Gosto do verde, a cor da esperança e da estabilidade.
Amo a natureza e os animais, sem eles não existiríamos.
Procuro sempre ter um novo olhar para minhas convicções, afinal elas precisam ser atualizadas periódicamente...
Desprezo dogmas, não permitem questionamentos.
Mantenho uma distância segura de pessoas muito virtuosas, legalistas e/ou religiosas em excesso, isso esconde perversões da alma e manipulação dos mais desavisados.
Ignoro os arrogantes, afinal arrogância é apenas uma máscara para esconder a mediocridade e falta de talento.
Odeio coitadinhos, ai de vc, se cair na teia de intriga deles...
Cultivo poucas, mas muito poucas amizades, nessa vida, quanto menos amigos eu tenho, melhores eles serão.
Não faço tudo o que posso, nem me dedico totalmente a nada,já é caminho certo pra a decepção.
Vivo um dia de cada vez, sem pressa nem ansiedade, afinal a Vida é como um bom vinho, deve ser sorvido com vagar, saborosamente devagar...
Sinto aromas diversos, vejo nuances antes despercebidas, saboreio novas coisas, tudo devagar, sem pressa...
Amo do meu jeito, sem regras e clichês, é infinitamente mais prazeroso.
Sempre mantendo a distância, sem pressa...
Penso, divago, reflito, até filosofo, sem pressa e sem pretenção, é verdade.
É melhor assim, as coisas fluem, acontecem sem trancos, dá para administrar.
Durmo a hora que eu quero, quando meu corpo me pede, sem pressa...
Quando inspirada, agito, faço e aconteço, tudo rapidinho, dou conta do recado, mas depois...
Ando devagar, porque já tive pressa.
Sou a Dona do meu Destino

17 outubro, 2009

Encrenca


Eu tenteiVer imagem em tamanho grande

Como podemos deixar entrar em nossas vidas pessoas que são pura encrenca....
Mentem deslavadamente, se fazem de vítima, e, qd excluidas, ficam surpresas.
Queria ter tido uma amizade de verdade, mas qdo se descobre a farsa, teme-se pelo que há por trás.
É uma penar ter que desacreditar em mais uma pessoa nesse mundo, mas é para nosso próprio bem.
Que assim seja.

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