PENSAMENTOS, DEVANEIOS E INQUIETAÇÕES

CRÔNICAS DO COTIDIANO, DO PONTO DE VISTA FEMININO,ARTÍSTICO, FILOSÓFICO, EMOCIONAL E SOCIOLÓGICO.

QUEM SOU EU...

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São Paulo, SP, Brazil
SOCIÓLOGA,HISTORIADORA, EDUCADORA E ARTISTA PLÁSTICA. Sou buscadora e curiosa por natureza. Sou bruxa, sem poções e crendices infundadas, observo e me integro à terra e aos seus movimentos. Amo a vida, os animais, plantas e a natureza. Solitária por vocação, pois nela busco forças e encontro repouso. Avessa aos ritos impostos e às convenções sociais, procuro a minha verdade. Sou arisca e desprezo dogmas, eles são a perdição da humanidade. Sou humana e falível. Busco o melhor de cada crença. deletando as manipulações. Amo o silêncio, a força da natureza e o equilíbrio cósmico, acho que sou inqualificável... Sou real e palpável, mas também sei ser etérea e indecifrável, se me convier. Amo o conhecimento, o mistério, as brumas da sensibilidade. Se quiser me conhecer melhor, siga-me...

BEM VINDOS!!!!!!

Sintam se à vontade nesse pequeno espaço onde compartilho minhas idéias, pensamentos, denuncio injustiças, lanço questionamentos, principalmente em relação ao universo feminino e toda a sua complexidade.
Minhas postagens são resultados de pesquisas na internet, caso houver algum artigo sem os devidos crédito, por favor me notifiquem para que eu possa corrigir uma eventual falta.
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27 janeiro, 2011

BISSEXUALIDADE






Entendemos que a psicanálise e a mitologia encontram-se sempre numa relação de estreita conexão. Através da abordagem da bissexualidade, a qual tem sido debatida no Fórum, me animei a desenvolver algumas considerações sobre essa temática, à luz da psicanálise.
Apenas citaremos, a título de ilustração, os mitos de Narciso e Édipo; mas aqui vamos nos deter um pouco sobre o mito de Hermafrodito, o qual ilustra de maneira ímpar a noção de bissexualidade. O mito nos conta que Afrodite estava casada com Vulcano, o mais disforme dos deuses do Olimpo, contudo não era apaixonada por ele. Quando Vulcano se ausentava, Afrodite se aproveitava de sua ausência, para concretizar as suas aventuras amorosas, como, por exemplo, com Hermes, assim como com outros deuses. Sabemos que Hermes é considerado o deus dos ladrões, também dos comerciantes e da eloqüência. A história se desenrola e desses encont ros fortuitos entre Afrodite e Hermes, acaba nascendo um filho do qual ambos não querem ter que se ocupar, mesmo porque, sua existência seria a prova contumaz do adultério praticado por eles. Decidem entregar o filho às ninfas do monte Ida. As ninfas, contudo observam no menino, os traços de seus genitores e decidem chamá-lo como eles, acabando por realizar apenas uma adaptação, a qual resultou em Hermafrodito.








Queremos fazer notar que esse processo de "condensação", acaba encobrindo e, ao mesmo tempo, denunciando Hermes e Afrodite.


O bebê cresce e torna-se um formoso adolescente. Sabe-se que obtinha muito prazer em caminhar e explorar lugares novos, talvez como um deslocamento sobre a problemática da busca pelas suas origens pessoais.
Ao completar quinze anos de idade, deixa para sempre a região de Ida. Em suas andanças subseqüentes, acaba por chegar num lago de transparente limpidez que o fascina, exercendo sobre ele uma atração irresistível. O lago pertencia a Salmácia, uma Náiade que se destacava pela sua ociosidade. Só tinha interesse por adorar e exaltar a sua figura. Quando Salmácia avistou Hermafrodito, acendeu nela uma intensa paixão e a decisão de vir a possuí-lo. Ele, por sua vez, ignora os segredos do amor e solicita que ela se afaste dele ou ele o fará. Ela acaba deixando-o em liberdade, embora inconformada. Ele, acreditando que estava só, sucumbe à tentação de banhar-se no lago, tirando as suas roupas e atirando-se no lago. A Náiade fica extasiada e seus desejos se reavivam; correndo em sua direção abraça-o, beija-o e, embora ele tentasse escapar, ela o envolve com seus braços e com suas pernas. Os dois corpos assim reunidos, agora formam um só, resultando por ter uma forma que não mais é de homem, nem de mulher, mas sim parecem não ter sexo algum e ter todos. O que nos chama especialmente a atenção é que em Hermafrodito, como nos demais relatos míticos, a infância está ausente, fato que nos leva por associação, a lembrarmos da amnésia infantil dos neuróticos. A história começa com os fatos que antecederam o nascimento, existe depois um longo hiato, sendo que o personagem só reaparece após passada a puberdade. Aqui, com toda certeza cabe a pergunta: não seria exatamente nesse hiato, que ocorreriam os momentos decisivos para a identidade sexual do indivíduo? Qual seria a função no mito de Hermafrodito, representada por Salmácia? Pensamos num possível desdobramento da figura materna, em que a fonte e as águas aludiriam ao útero e, ao período de gestação, quando o feto encontra-se imerso no líquido amniótico. Assim, esse mito se refere à uma modalidade de relação narcisista mãe-filho, de forma mais freqüente do que seria desejável, onde a criança não estaria importando como um sujeito que chega, mas sim como um ideal sexual cuja função é a de completar a falta (falo imaginário). Incluiremos aqui uma citação de Freud de 1910, em "Uma Lembrança Infantil de Leonardo da Vinci": "Assim, do mesmo modo que todas as mães insatisfeitas, tomou ao seu filho (Leonardo), como um substituto de seu marido e, pela maturação demasiado precoce de seu erotismo, privou-o de uma parte de sua masculinidade". Em seguida, referindo-se às pinturas de Leonardo, Freud nos diz: "As figuras são ainda andróginas. (...) É possível que nestas figuras Leonardo tenha negado a infelicidade de sua vida amorosa e triunfado sobre ela em sua arte, representando, nessa bem-aventurada união das naturezas masculina e feminina, a satisfação dos desejos do menino apaixonado por sua mãe" Dando continuidade ao nosso percurso, diríamos que esse narcisismo materno dar-se-ia em dois momentos: quando o filho é visto como alguém que vem para perturbar o equilíbrio afetivo do casal, e quando do ato de livrar-se dele. As mornas e transparentes águas não aludiriam só ao líquido amniótico, mas também à projeção retroativa que os seres humanos podem fazer sobre o período fetal, de um amor idealizado (narcisista), em que cada um encontra a outra metade que o completa. Mais do que amor a um objeto, teríamos aqui, uma ânsia de fusão narcisista com um ideal, com o qual se alcançaria a perfeição e a completude. Quando vemos Hermafrodito penetrar na fonte e Salmácia fundir-se com ele, poderemos inferir que ela não deseja, em sua vida, um homem que possa separar a relação mãe-filho. Esse lugar do homem, rechaçado pela mãe, é o do pai, que é o representante da lei da proibição do incesto, ou a lei da cultura. Se partirmos da ótica de Hermafrodito, poderíamos dizer que todo homem que se deixe aprisionar pelo amor narcisista de sua mãe, fique, assim como ele, castrado, no sentido de ter impossibilitada a partida para uma relação exogâmica. Freud, em 1914, em "Introdução ao Narcisismo", chega a afirmar que "quem tenha sofrido uma perturbação no desenvolvimento libidinal, posteriormente realizará uma escolha de objeto narcisista e, trará como exemplo, o resultado das perversões." Realmente, dessa forma estaríamos mais inclinados a pensar em perversão do que em psicose. Não vemos Hermafrodito identificar-se  maciçamente com uma mãe narcisista, mas isto sim, lutar para tentar livrar-se dela. Teríamos então, a indicação da existência de um conflito, muito embora a sua resolução se dê pelo caminho perverso e não pelo caminho neurótico. Mais didaticamente falando, diríamos que o perverso atua os mesmos impulsos que os neuróticos reprimem, de onde derivou a famosa frase emblemática da psicanálise: "A neurose é o negativo da perversão". Se encararmos a problemática pela ótica da psicose, diríamos que não se vê a mãe lutar para restabelecer uma fusão e o filho nunca teria deixado de atuar, como sendo uma espécie de "órgão" da mãe. Além do que, a indiscriminação, a despersonalização, não acabaria restrita á identidade sexual, vindo a abarcar a identidade total do sujeito.


O Fantasma da Bissexualidade



Iniciaremos afirmando que esse fantasma é comum a todos os seres humanos. Esse mesmo fantasma pode atuar inconscientemente, às vezes como uma fantasia consciente e até, como um projeto materializável ao nível da realidade. Em outras palavras dir-se-ia que todos nós vivemos, em nossas origens e durante algum tempo, como parte do ser - e do ser sexual - de nossa mãe e a experimentamos como se fosse uma parte nossa, até que chegue o momento da dolorosa separação.
Também sabemos pelas "Teorias Sexuais Infantis" (Freud), que quando crianças, chegamos a desejar que não houvesse diferenças, sendo possível sermos o homem amado por nossa mãe e a mulher amada pelo nosso pai. Na puberdade, a identidade sexual se define, assumindo de forma manifesta, uma ou outra forma e o que queremos também ressaltar, é que a forma complementar submerge no inconsciente. Destacamos que para assumir uma identidade sexual, deverá haver a substituição do objeto sexual incestuoso, por outro exogâmico, porém não se pressupõe o desaparecimento da inclinação sexual oposta. O fantasma da bissexualidade procura encontrar uma realização simbólica, pois, a partir do reconhecimento da diferença e da incompletude sexual, cada um buscará no outro sexo, não apenas o chamado da pulsão, mas também o seu complemento simbólico. Notamos também que quando o complexo de castração não é elaborado adequadamente, o fantasma da bissexualidade se intensifica ao mesmo tempo em que diminuem as suas possibilidades de realização simbólica no meio social. Quanto maiores forem as fixações narcisistas, o outro contará cada vez menos como ser sexual diferenciado que se deseja e cada vez mais como instrumento que se necessita, para renegar a diferença sexual. A partir desse estado de coisas, são múltiplas as variantes clínicas que podemos observar: a inibição genital, a fascinação amorosa em que há uma dependência extrema do parceiro, a escolha de objeto homossexual com desvalorização do sexo oposto, o travestismo, o transexualismo, etc. Assim, se anteriormente falávamos de uma bissexualidade apenas fantasmática nos neuróticos, passamos para uma bissexualidade consumada na realidade externa, cujos casos mais extremos transcendem o marco da perversão, acabando por ingressar na psicose. Quais seriam, portanto as variáveis que facultariam o seguimento de um outro caminho? A Freud foi realizada essa pergunta e ao respondê-la em "O ego e o Id", não pôde simplesmente remeter a questão apenas às identificações masculinas e femininas no Édipo e foi obrigado a recorrer à disposição constitucional. Esta pode ser interpretada do ponto de vista que se refere à Biologia, até aquele que a concebe como sendo uma determinação narcisista, a qual envolve a pré-história de cada um, a qual se constitui na relação de seus genitores com o sujeito. Podemos verificar que existe também uma tendência cultural à renegação da falta. Vemos com relação às mulheres, por exemplo, o que estas exaltam como parte da sedução, são as saliências do corpo feminino (seios, nádegas), porém algo fica sempre oculto como se se tratasse de uma espécie de buraco, isto é, como um significante da falta. Dessa forma, verificamos que é no processo edípico, que o ego do menino se coloca tanto no lugar da mãe, como objeto do desejo paterno; como, no lugar do pai como objeto do desejo materno. Ressaltamos que esse processo não ocorre de maneira direta e definitiva, sendo que pode vir a ser obstaculizado por diversos influxos, os quais são provenientes dos fantasmas parentais. Como ilustração, citaremos a falta de reconhecimento materno do lugar do pai, como um lugar valorizado ou mesmo a intolerância dele frente à rivalidade do filho. O Édipo, seja ele direto ou invertido, acaba culminando em uma identificação com cada um dos genitores, bem como com uma relação de objeto proibida (incestuosa ou agressiva).


A bem da verdade, a mensagem que queremos deixar registrada, ao concluir essa exposição, é a de que a posse de uma genitália masculina ou feminina, não faz de ninguém um homem ou uma mulher, em termos da aquisição de uma identidade sexual psicogenicamente determinada. Essa psicogênese terá seu particular ponto de apoio, em como o sujeito virá a lidar com o Complexo de Édipo, com o Complexo de Castração, além da problemática referente às identificações.
Além disso, gostaríamos de retomar que, a nosso ver, o fato deste ou daquele indivíduo tomar um determinado caminho, o qual será o vetor resultante das variáveis acima expostas, fará com que a possibilidade oposta, fique direcionada ao inconsciente. Contudo, não nos iludamos com relação ao fato de que estará para todo o sempre no inconsciente, podendo vir a aflorar em qualquer outro momento da vida do indivíduo, o que ficaria fundamentado pela possibilidade do "retorno do recalcado". Gostaríamos que essas coisas fossem compreendidas desde uma ótica dinâmica e não estática.


Bibliografia Auxiliar



Mayer, H. Histeria. Porto Alegre: Editora Artes Médicas.
Green, A.  El gênero neutro. Em

06 junho, 2010

CASAMENTO-UMA HISTÓRIA DE ENCONTROS E DESENCONTROS





Casamento do faraó Menkaura com sua irmã Khamerenebti II
O Casamento sempre esteve ligado a uma história feliz e romântica.
Quem vai casar partilha alegremente a notícia à família, amigos e aos mais próximos.
Organiza uma festa à escala do gosto e possibilidades e simultaneamente firma-se um contrato.
Com o passar dos tempos o casamento foi envolvendo aspectos jurídicos, religiosos , sociais, afectivos e tambem mundanos, sendo portanto uma celebração muito completa,
rica de avaliações.
Os costumes são inventados ou seguem tradições. O casamento é tambem ele um costume que tem um pouco de ambas as coisas.Seguem-se mitos e ritos mas vão-se sempre acrescentando novidades. Para isso devemos estar preparados.

A sua história tem evoluido ao longo dos tempos conforme costumes, estéticas e éticas dos diferentes países e culturas.
Afrodite, deusa protectora dos casamentos


Na Civilização ocidental, nos tempos primordiais a vida passava-se em público. A noção de privacidade que hoje existe, chegou mais tarde. No que respeita ao Casamento, a benção do leito núpcial era costume. Vinha o povo visitar os noivos na noite de núpcias, já deitados, e à volta deles fazia grande algazarra, ritual que não escandalizava o povo. Havia vários direitos sobre a intimidade do casal.
As Bodas de Canãa - Veronese
Nesse tempo era outra a noção de privacidade. Todos viviam juntos, as casas eram lugares públicos, as portas estavam abertas à indiscrição das visitas, enfim a noção de família era diferente de hoje.
Os Esponsais da Virgem - Rafael

Foi nos meados do século XVIII para XIX o sentimento familiar mudou. A sociabilidade e a diferença entre privado e público, passou a alargar-se a todas as classes para alem dos aristocratas e burgueses.A Família passou a ser mais do que era nos tempos em que só contava a realidade material, transmissora de património e tambem de nome.

O rapto das Sabinas - Jean-Louis David

Surgiu o sentimento de familia que chegou até hoje , vigorando laços de intimidade e privacidade alem de desejo de conforto. Assim foi transmitido pela educação uma nova ética, com influência do cristianismo. Família e sociabilidade deixaram de coincidir.

Se remontarmos a tempos muito antigos saberemos que os casamentos das famílias influentes no Egipto eram feitos, se necessário com familiares próximos , nomeadamente irmãs, que se transformavam em esposas ou concubinas para manter heranças do Trono, como no caso dos faraós. O incesto não era questão.
John of Gaunt e Dom João I negociando o casamento de Filipa de Lancaster com o Rei de Portugal em Ponte de Mouro, Monção
Casamento de Filipa de Lancaster com Dom João I de Portugal na Sé do Porto

Na Grécia Antiga, os pais combinavam os casamentos das crianças de 1 e 13 anos. Faziam-se celebrações à deusa Afrodite, em altares em que os noivos eram coroados com folhas de loureiro. As mulheres tinham um papel social muito restrito
A aristocracia romana por sua vez tinha costumes como por exemplo, os maridos cederem as suas mulhres a hóspedes e amigos íntimos como forma de honraria.

Romântico enlace de Abelardo e Heloísa - Jean Vignaud
Havia diferentes formas de consumar o matrimónio dos filhos que muitas vezes não eram naturais mas adoptados, era pela coabitação durante um ano e um dia, o que se chamava Usus, por contrato de união de património , com rituais de celebração aos deuses e tambem por rapto.
Após a cristianização no Império Romano e na época medieval que se seguiu, os filhos eram levados a casar por escolhas e acordos entre os pais, sem consentimento dos nubentes.

Casamento dos Arnolfini - Van Dyck


O casamento por amor é uma conquista do século XVIII. Surge então o sonho do amor romântico que antes não era tido em consideração, assim se sabe através dos livros embora tenha sido de facto no séculoXII em França nos tempos da Cavalaria que se popularizou o amor cortês, no seio dos domínios feudais. Esse sentimento amoroso e até poético , do culto divinizado da mulher, foi difundido pelos Cruzados provenientes de França, nas sua digressões, influenciando as diferentes realidades sociais da Europa por onde andaram mas foi apenas um começo. Só mais tarde o amor se tornou um sentimento corrente e reconhecido.

Papa Nicolau I

O Papa Nicolau I, ainda em tempos mais remotos , no século IX, terá decidido que no matrimóniodevia have o consentimento dos jovens . Foi um triunfo e um avanço na época embora na prática os casamentos não tivessem deixado de ser um instrumento de poder das famílias reais e burguesas que os negociavam a seu belo prazer através da união dos filhos.

Henrique VIII de Inglaterra e suas mulheres

No século XVI as teses do protestantismo defendidas por Lutero levaram a polémica a debate sobre a jurisdição que a Igreja tinha sobre o casamento . Nessa altura se separaram cristãos católicos de cristãos protestantes. Para muitos europeus que deixaram de obedecer ao Papa, o casamento não foi mais um Sacramento mas um acto civil, a Igreja apenas faria o acompanhamento espiritual do casal. O caso histórico de Henrique VIII e seus divórcios, é deste facto um marco histórico.

Primeiro Código Civil

No século XVIII a Revolução Francesa secularizou o casamento em França, em nome da liberdade. O casamento passou assim a ser um contrato com direitos e deveres, celebrado na presença dum funcionário público em lugar dum sacerdote.

Noivado de Dom Carlos I de Portugal e Amélia de Orleans, Cannes, 1862

No século XIX , o Código Civil surgiu ocupando-se do Direito da Família. As relações entre o Estado e a Igreja foram objecto dum documento regulador , a Concordata.O Concílio Vaticano II, concluido nos anos 60 do século XX, reforça o casamento católico como um Sacramento, portanto uma união indissoluvel. A indissolubilidade do casamento marca a Igreja Católica que determina que tudo o que Deus uniu o Homem não separa.
Casar é hoje um acto de conformidade social que se obtem por meio de uma licença legal, criada para ser ter filhos com honorabilidade, dentro da legalidade, no caso dos haver.
A cerimónia religiosa não dispensa o acto civil na Conservatória.
Para a Doutrina Social da Igreja, o casamento é o fundamento da Família.
Apesar da indissolubildade deste, muitos são os que se divorciam da parte civil, podendo voltar a casar-se neste mesmo regime sendo este considerado a parte contratual. Admitido por alguns que o casamento é amar por contrato foi todavia o que de melhor se inventou para expandir a função da reprodução, trazendo a segurança e cumplicidade necessárias.

Neste breve olhar sobre a história do casamento ao longo dos tempos, as principais mudanças de hoje devem-se ao novo papel da mulher na sociedade que apartir dos anos 60 do século XX passou a partilhar com o homem o fardo conjugal, sendo uma espécie de sócia. Todavia é ela que tem a propriedade do mecanismo da reprodução. Por mais modelos familiares que surjam, dela dependerá sempre a continuidade da espécie, o que lhe dá maior responsabilidade.

Muitas referências se perderam mas a pressão dos símbolos, das ritualizações, a oficialização dos actos continua a ter adeptos.

Para os filhos, o casamento, seja qual for a ideologia ou religião é uma garantia de equilibrio pelo que é uma necessidade.
O modelo familiar reproduz-se para os que têm filhos e para a sociedade em que se integram. A função é reproduzir o modelo.
O casamento é uma relação estável e promotora de estabilidade pois é a declaração pública de compromisso
As condições de nascimento determinam a história das gerações. Os filhos são refens do cenário que os pais proporcionam e mais tarde serão seus actores involuntários no papel que aprenderam. Existe uma pressão social para ritualizar as relações para validar a existência dos filhos, o que oficilizou os actos.

As evoluções científicas e tecnológicas causaram impacto na noção de futuro. A globalização atingiu os conceitos de sexualidade, casamento e família.



A família tradicional pode estar ameaçada de mudança pela ruptura com o passado mais recente sobretudo devido à ideia de tolerância em relação a outras emergentes noções de família e tambem pelos novos modelos de quotidiano exibidos pelos Media.
Instalou-se a ideia de risco sendo o futuro uma ameaça. Faz lembrar a ideia de destino mágico dos antigos. Será uma nova fonte de energia e riqueza?
Perante as novas identidades perderam-se valores culturais e tradicionalmente conquistados.
Deixará de se confiar na tradição e na religião?

Casamento de Diana com o Príncipe de Gales

A tradição é uma espécie de verdade, um marco de acção de que o mundo não se libertará pois ela é necessária à continuidade da vida.
Casamento e Familia abandonaram os vínculos da tradição e entraram na insegurança de um novo ambiente moral esquecendo muitas vazes que as relações humanas se baseiam em dar e receber, e o casamento não pode escapar a essa lógica
Assiste-se a novas tendências, novos riscos, filosofias de vida. Mas a tradição pode ser o motor de uma espécie de verdade, uma base de acção, uma continuidade do sagrado. Podemos viver num mundo em que nada seja sagrado? O sagrado dá estabilidade. Os costumes ou se retomam ou se inventam.

29 maio, 2010

SAGRADAS E PROFANAS



O tema prostituição sempre foi polêmico e provavelmente nunca deixará de sê-lo. A despeito de tudo isso, é possível abordá-lo como um fenômeno social. Aqui, por enquanto, nos preocuparemos em discutir a prostituição sagrada e falar um pouco das Grandes Deusas do "passado".


Primeiro é importante que se diga: a prostituição já foi considerada sagrada, segundo alguns historiadores. E o que surpreende nela, segundo Maffesoli, era sua “função agregativa”, ou seja, a capacidade de “juntar” o grupo, de promover a coesão. Além de fortalecer os laços das comunidades antigas, sob uma aura de misticismo (ou de um “orgiasmo sagrado”). Tudo em torno da crença nas Grandes Deusas.

Nesse sentido, o sexo e a espiritualidade comungariam em benefício de um projeto da comunidade.
Evidencia, ainda, o referido sociólogo francês uma função primordial daprostituição sagrada, tal seja: “ser tudo para todos”, dar-se ao conjunto integralmente (o que é característica fundamental de uma divindade e de suas representantes).

Mas, precisamos, antes de mais nada, encarar a polêmica sobre a existência ou não de uma 
Era matriarcal. Uma suposta época em que a mulher detinha (ou compartilhava) a hegemonia política e o poder religioso, sem nenhuma supremacia do homem.

Nessa sociedade idílica, defendem alguns autores, não haveria guerra nem violência sistemática. Nela, se festejava a vida em cultos silvestres (e agrários) para homenagear a deusa natureza e sua força criadora (a fonte da vida: como é o caso da 
Vênus do paleolítico). Notem que por sí só a mulher é símbolo da vida. É ela que gera e dá a luz. Por isso, sua associação com as divindades geradoras.





Claro que há uma idealização bem evidente nesse pensamento. Mas, assim são construídos os nossos mitos, inclusive os cristãos. (Estamos a usar o termo “mito” no sentido de verdades profundas, embelezadas com metáforas, poesias e simbolismos).

Pois bem. Segundo Rose Muraro, essas sociedades teriam florescido em várias regiões há pelo menos 30.000 a.C. A historiadora faz ainda referência à introdução de um novo modo de produção, o agrícola (em torno de 10.000 a.C) e o estabelecimento da cultura das cidades, tudo isso com estreita relação ao matriarcado.

Era o Tempo das Grandes Deusas, cujo declínio teria acontecido especialmente a partir de 4.000 a.C. Motivadas por invasões de povos guerreiros advindos dos estepes, os quais teriam “introduzido o machismo, a cultura da guerra e a sociedade patriarcal”.

É nesse declínio que se daria o surgimento das religiões abraâmicas (o judaísmo, o islamismo e o cristianismo). Ora, os textos bíblicos mais antigos datam em torno do século V ao I a.C. e em muitos deles há uma mensagem patriarcal bem forte e às vezes não tão amigável à mulher.

O Gênese é prova disso. Não é à toa que “a mulher aparece como duplamente culpada pela queda humana”, pelo menos segundo uma leitura mais tradicional. Além disso, no mito adâmico, a serpente aparece como símbolo do mal. Mas a serpente era símbolo de sabedoria e de regeneração para as Grandes Deusas. Talvez, por isso, a tentativa de trazê-lo para o "lado" do mal.

Quanto ao cristianismo, importante comentar que a Virgem Maria, talvez, não possa ser considerada como uma representação da Grande Deusa. Penso próximo à visão de Ana Maria Mendes. Para ela, enquanto a "Grande Deusa é quem propiciava vida e a morte, sendo a deusa da terra e das forças telúricas. A Virgem Maria é a Deusa dos Céus que sendo Virgemdeu à luz o filho de Deus". Apesar de encontarmos algumas semelhanças entre a Virgem Maria, Ísis EgípciaDevaqui, entre outras, inclusive quanto ao nascimento virginal de seus filhos.

Mas não entraremos nessa controvérsia, importa-nos examinar, nesse momento, a vida nos Templos erguidos para adoração das Deusas. Eram nesse lugares sagrados nos quais as suas sacerdotisas ofereciam serviços sexuais (pagos). As taxas serviam como uma espécie de oferenda às deusas. Um tributo aos seus “favores sexuais” de conotação divina.

Na Suméria (Oriente Médio), por exemplo, as sacerdotisas da Deusa Inanna, mais tarde chamada de Ishtar, na Mesopotâmia, cultivavam o ritual da prostituição “como forma de ajudar aqueles que procuravam o templo para reencontrar-se, morrer para renascer e dar um novo sentido a vida”.

A própria Ishtar, “a benfazeja”, foi identificada como uma prostituta. E mais: sendo as prostitutas-sacerdotisas membros do templo, considerado centro religioso, político e econômico na Mesopotâmia, o status de prostituta era bastante elevado.

Não esqueçamos que no próprio código de Hamurabi, os direitos da prostituta sagrada eram protegidos. “Seus filhos não eram difamados e elas preservavam a reputação de mulher casada”.

Um dos primeiros poemas mais antigos que se tem notícia no mundo, o
Épico de Gilgamesh (em torno de 2.000 a.C), fala da prostituição de uma forma sagrada, bem como exalta seu poder civilizador.

Poderíamos ir multiplicando os exemplos. Mas não podemos deixar, por último, de citar a tentativa da Igreja, no passado, de associar Maria Madalena a figura de uma prostituta (arrependida). E Lot que “oferece suas filhas “virgens” aos habitantes de Sodoma em troca de deixarem em paz os estrangeiros que acolheu em casa (Gênese 19,6)”.
Mas voltemos ao nosso percurso. Os homens buscavam os templos para melhorar as colheitas, os rebanhos, para chover mais (“a chuva fecundadora”). E até para receberem as bênçãos e a graça das deusas visando engravidar suas esposas.

Segundo a historiadora Nickie Roberts, essas mulheres foram consideradas a encarnação terrena da deusa. Eram o “elo vital entre a comunidade e a sua divindade, e isso elas fizeram como sacerdotisas xamânticas”. As Vênus, por exemplo, representam a fertilidade.

Não havia a famosa dualidade neoplatônica tão cara ao cristianismo, ou seja, não havia um distanciamento fundamental entre o espiritual e do sexual. Carne e espírito comungavam com certa harmonia, como parte da natureza. Por isso, tantos rituais de celebração a fertilidade nas mais diversas religiões e mitologias.

Marie Louise von Franz fala-nos das religiões pagãs, originárias dos germânicos e dos celtas, nas quais se cultuavam à Mãe Terra e a outras deusas da natureza. Em muitas dessas festas haveria a prática de orgias sexuais com uma aura de sacralidade. Os carnavais têm muito haver com essas celebrações. E as máscaras venezianas têm certa relação com a vontade de perde-se no todo, abandonando a individualidade.

Por isso, para alguns autores a prostituição sagrada era uma forma de atingir a espiritualidade através da carne. Nesse sentido, Débora F. Lerrer, em seu artigo
 Sexo Sagrado, nos afirma: “A prostituta sagrada encarnava a deusa, tornando-se responsável pela felicidade sexual”.

Do mesmo modo, os ritos secretos, ligados a tradições pagãs deixaram vestígios da existência de rituais sexuais, como 
Mistérios de Eleusis, dedicado à deusa Deméter, na Grécia. E ritos outros que se espalharam pela Europa. Todos com a característica de "transcender o indivíduo", como se "o prazer entrasse na esfera da vida cósmica".
Mais curioso ainda é que não só as sacerdotisas arrecadavam tributos para o templo. No culto à Deusa Milita, na Babilônia, por exemplo, pelo menos uma vez na vida todas as mulheres migravam à porta do templo e ofereciam serviços sexuais.
O dinheiro era, então, doado ao templo, como oferenda. Uma taxa dita como justa e devida à Deusa. Detalhe: nenhuma mulher poderia se negar a prestar o serviço.

Na Idade Média as francesas de Savóia, uma vez por ano, se reuniam para visitarem tabernas e se encontrarem com outros homens, com o consentimento dos respectivos maridos. A despeito da questão do pagamento, tal comportamento parece ser uma recorrência da época da prostituição sagrada e dos cultos da fertilidade.
Vejam que por trás do tema “prostituição sagrada” há uma boa discussão sobre sexualidade e religião. E mais: denota a força do patriarcalismo, embasada nos credos judaicos, cristãos e islâmicos, e seu controle sobre a sexualidade das mulheres.

SEXO SAGRADO

PROSTITUIÇÃO SAGRADA

Historicamente, sexo e espiritualidade foram parceiros de cama complicados - enquanto algumas religiões da antigüidade incluíam a sexualidade em seus ritos, outras procuravam controlá-la, tanto pela supressão ou por severas limitações de sua expressão. A maioria das religiões dominantes no mundo hoje prega a sublimação das necessidades sexuais ou sua canalização para formas socialmente aceitáveis, como o casamento.
Na contra mão dessa tendência de limitar a alma à igreja e a carne à cama, a sexualidade sagrada é uma forma de espiritualidade que vê sexo como um meio de experimentar a comunhão com o divino. O sexo sagrado aproveita o poder da sexualidade com o objetivo de acelerar a transformação pessoal e intensificar o crescimento espiritual.
Várias tradições antigas incluíram a sexualidade em ritos religiosos. Por volta de 3.000 a.C., os Sumérios encenavam ritualmente o Casamento Sagrado - a união entre uma sacerdotisa de sua deusa Inanna e um sacerdote-príncipe, como um meio de obter favores da deusa para suas cidades. Na Grécia, esse tipo de sexo ritual teve continuidade e era chamado de hiero gamos, que consiste na tradicional reconstituição do casamento da deusa do amor e da fertilidade com seu amante, o jovem e viril deus da vegetação. Várias fontes antigas sugerem que este tipo de prática também deveria fazer parte dos Mistérios de Eleusis, dedicado à deusa Deméter. Há evidências de que este rito também fosse praticado pelos Egípcios no culto da Ísis e ele tenha permanecido até a era Romana.

Prostituição Sagrada
Na Antiguidade, em várias civilizações do Oriente Médio também era comum a prática da prostituição sagrada, pela qual os homens visitavam templos, onde tinham relações sexuais com o objetivo de comungar com uma deusa particular. Por esta concepção a prostituta sagrada encarnava a deusa, tornando-se responsável pela felicidade sexual, "a veia através da qual os rudes instintos animais são transformados em amor e na arte de fazer amor", explica Nancy Qualls-Corbett, autora do livro "A prostituta sagrada", da Editora Paulus.
Nesse período em que existia a prostituição sagrada, as culturas constituíram-se sobre um sistema matriarcal que, muito mais do que mulheres em cargos de autoridade, significava um foco em valores culturais diferentes.
"Onde o patriarcado estabelece lei, o matriarcado estabelece costume; onde o patriarcado estabelece o poder militar, o matriarcado estabelece autoridade religiosa; onde o patriarcado encoraja a aretheia (valor, virtude, coragem) do guerreiro individual, o matriarcado encoraja a coesão do coletivo, algo que tem a ver com a tradição". (William Thompson, The Time Falling Bodies Take to Light)
Em outras palavras, o que diferencia matriarcado de patriarcado não é fato de que o poder esta na mão da mulher ou do homem, e sim uma diferente atitude.
De acordo com Nancy Qualls-Corbet, em matriarcados antigos a natureza e a fertilidade consistiam no âmago da existência. Suas divindades comandavam o destino, proporcionando ou negando abundância à terra. Desejo e resposta sexual, vivenciados como poder regenerativo, eram reconhecidos como dádiva ou bênção do divino. A natureza sexual do homem e da mulher era inseparável de sua atitude religiosa. Em seus louvores de agradecimento, ou em suas súplicas, eles ofereciam o ato sexual à deusa, reverenciada pelo amor e pela paixão. Tratava-se de ato honroso e respeitoso, que agradava tanto ao divino quanto ao mortal. A prática da prostituição sagrada surgiu dentro desse sistema religioso matriarcal e, por conseguinte, não fez separação entre sexualidade e espiritualidade.
De acordo com Heródoto, historiador grego do século III a.C., era costume babilônico que toda a mulher virgem perdesse sua virgindade no templo do amor e tivesse relações sexuais com estranhos. Não importava a quantia de dinheiro, ela nunca recusaria, pois isso é que seria pecado. Segundo ele, as mulheres altas e belas logo ficavam livres para partir, mas as feias tinham que esperar muito tempo, podendo chegar a três ou quatro anos. Todo dinheiro e o ato em si eram dedicados à deusa, e portanto, considerados santos. Para a mulher, esse ato não representava a desonra, era motivo de orgulho. Em outras localidades, tal honra só era alcançada pelas mais nobres de estirpe. O ato sexual com estranhos consagrado à deusa era considerado purificador. Mais tarde, até as matronas romanas, da mais alta aristocracia, vinham ao templo de Juno Sospita para entrar no ato da prostituição sagrada quando era necessária uma revelação.
No Egito, as deusas Hátor e Bastet eram adoradas como deusas da fertilidade. Freqüentemente são representadas nuas, acompanhadas por um coro de mulheres dançantes. No tempo das grandes festas, as mulheres permaneciam a serviço da deidade. Tendo cumprido suas obrigações na noite do ritual, elas voltavam a suas casas para reassumirem sua vida diária.
Em Hierápolis, no Líbano, a moderna Baalbek, matrona, bem como virgens, prostituíam-se a serviço da deusa Atar. Em alguns casos, mulheres que não desejavam levar vida casta, nem casar, passavam a morar nos recintos do templo. Eram elas as Virgens Vestais. Elas serviam à deusa grega ou romana Héstia ou Vesta, como encarregadas do fogo das lareira. Tinham como propósito trazer o poder fertilizante da deusa para o contato efetivo com as vidas dos seres humanos.
Em outros casos, o caminho da mulher à prostituição sagrada realizava-se através da sujeição ao conquistador guerreiro. Ramsés III atesta esse fato nos relatos de inscrição de prisioneiros que fez na guerra da Síria. Os homens foram levados para um "depósito", e suas mulheres foram feitas súditas do templo.
Independentemente de virem ao templo do amor por determinação da lei, por dedicação ou por servidão, por sua origem real ou comum, por uma noite ou por toda a vida, sabemos que as prostitutas sagradas eram muito numerosas. De acordo com Estrabão, nos templos de Afrodite em Érix e Corinto havia mais de mil.
No código de Hamurabi, uma legislação especial salvaguardava os direitos e o bom nome da prostituta sagrada; era protegida contra difamações, assim como seus filhos, através da mesma lei que preservava a reputação da mulher casada. Elas também gozavam do direito de herdar propriedades do pai e receber renda da terra trabalhada por seus irmãos.

CIÚMES

O ciumento é um obsessivo de idéias que não acontecem.
O ciumento é delirante. Ele projeta no companheiro(a) os seus próprios defeito e desvios, e, assim tira de si toda a culpa por ser infiel.Também obriga o (a) outro(a) a omitir fatos para não sofrer consequências de  ações passadas ou sem importância por medo de ser hostilizado
O ciumento também sinaliza para o outro um possível motivo para a traição,já que aponta o objeto da sua insegurança, atraindo assim o olhar do amado(a) para o centro da traição.
O ciúmes é um desvio grave de comportamento, e, se não tratado só piora com o decorrer do tempo, tornando insuportável a vida em comum. O ciumento é perigoso, não o substime. Coloque limites e demonstre claramente o seu descontentamento em ser acusada injustamente.
É um câncer que mata o amor aos poucos.

26 abril, 2010

MULHERES DE PODER




Temos que ter coragem para vencer nossas lutas de cada dia, sem esmorecer jamais.
Quantas vezes nos sentimos sós, frágeis ou tolas, mas esquecemos que, mesmo nas derrotas aparentes, sempre somos vencedoras.
Pensem nas mulheres ao longo da história, subjugadas, sem direitos, sem credibilidade, sem opções...
Quantas lutas inglórias, tantas batalhas perdidas pela intolerância, pelo machismo, mesmo assim cá estamos.
Somos mães, esposas, chefes de família, solteiras por opção ou pela falta de escolha, quem sabe, mas sempre vencedoras.
Vertemos nosso sangue a cada mês , nos estabilizamos, geramos vidas, nos purificamos energéticamente, e ao final de nosso ciclo reprodutivo, nossos sangue recolhido se converte em solene sapiência e nos tornamos conselheiras, melhores amigas, avós, tias, enfim, mulheres confiáveis.
Fico triste quando uma mulher diz que não é feminista, esquecendo-se das sufragistas, operárias que até morreram ou foram presas por defenderem direitos básicos de cidadania, nem sabem quantas francesas perderam suas cabeças durante a revolução francesa por exigiram a igualdade
,liberdade e fraternidade também para o gênero feminino.
O que dizer das mulheres no mundo islâmico que padecem  por serem apenas sombras num mundo estritamente masculino, quantas outras perderam suas vidas apedrejadas, queimadas, lutando para serem ouvidas em suas necessidades e direitos.
Lembremo-nos nas pobres, sem pai desde a infância que reproduzem  as dificuldades da infância numa vida de batalhas para alimentar seus filhos, dar-lhes moradia, educação, enfim, cidadania.
Sim, somos mulheres de poder, de amores e dores!
Somos as geradoras da Vida, isso é Poder
Ninguém nos tira, podemos gerenciar nossa prole, programar nossos filhos, mas para isso  se faz necessário o auto conhecimento de cada célula de nosso ser, precisamos nos conhecer do ponto de vista biológico e emocional, afinal Poder é Conhecimento.

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