PENSAMENTOS, DEVANEIOS E INQUIETAÇÕES

CRÔNICAS DO COTIDIANO, DO PONTO DE VISTA FEMININO,ARTÍSTICO, FILOSÓFICO, EMOCIONAL E SOCIOLÓGICO.

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São Paulo, SP, Brazil
SOCIÓLOGA,HISTORIADORA, EDUCADORA E ARTISTA PLÁSTICA. Sou buscadora e curiosa por natureza. Sou bruxa, sem poções e crendices infundadas, observo e me integro à terra e aos seus movimentos. Amo a vida, os animais, plantas e a natureza. Solitária por vocação, pois nela busco forças e encontro repouso. Avessa aos ritos impostos e às convenções sociais, procuro a minha verdade. Sou arisca e desprezo dogmas, eles são a perdição da humanidade. Sou humana e falível. Busco o melhor de cada crença. deletando as manipulações. Amo o silêncio, a força da natureza e o equilíbrio cósmico, acho que sou inqualificável... Sou real e palpável, mas também sei ser etérea e indecifrável, se me convier. Amo o conhecimento, o mistério, as brumas da sensibilidade. Se quiser me conhecer melhor, siga-me...

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05 novembro, 2011

DANDIS-


“Oscar Wilde: o esteta, o dândi, o escandaloso, o intelectual, o sedutor, o elegante, o exótico, o bizarro, o homossexual, muitas vezes atitudes excêntricas para afrontar a sociedade londrina do século XIX.” Dhora Costa
Foi no século XIX, que o vestuário passou a significar dissidência. A figura crucial nesta transformação foi o dândi. O dandismo estabeleceu padrões mais rígidos de masculinidade ao introduzir um traje novo, moderno e urbano. Também, apontava para o vestuário como forma de revolta.
oscar wilde 210x295 Sobre Dândis e Antimoda Masculina
O vestuário masculino do século XIX era uma adaptação do traje de campo e esportivo do séc. XVIII. Foi o dândi que o transformou em estilo dominante, impondo uma estética que se opunha ao exagero de rendas, brocados e pó-de-arroz dos aristocratas pré-Revolução Francesa. Para Beau Brummel, seu criador, o novo estilo significava nada de perfumes. O papel do dândi implicava numa preocupação com o eu e a apresentação pessoal; a imagem era tudo.
Muitas vezes não tinha profissão, nome de família (SNOB: sem nobreza) e, aparentemente nenhum meio de sustento econômico, mas acabou por criar o arquétipo do novo homem urbano. A sua dedicação a um ideal de vestuário que santificava a sutileza, inaugurou uma época que punha o tecido, o corte e a queda do traje à frente do adorno, opunha o clássico retilíneo à cor e ostentação do rebuscado traje barroco e rococó.
Tipo narcisista, não abandonou a busca da beleza, apenas modificou o tipo apreciado, criando um novo erotismo masculino, com calças muito apertadas e o rosto sem pintura. O novo estilo tornou-se possível pelo uso da lã e do algodão em vez das sedas finas e cetins da velha aristocracia. Os alfaiates ingleses foram os primeiros a aperfeiçoar as novas técnicas de costura para tais tecidos. Vem dai a tradição de alfaiataria como corte inglês para traje masculino.
Executar uma toalete dândi exigia horas de dedicação diária, não mais para pintar e emperucar, mas para limpar, escovar, lavar e fazer a barba, para engraxar as botas até a perfeição e para dar um nó exímio na gravata, que portava sempre um aspecto de indiferença. Inventaram o estilo Cool. Seu traje era simultaneamente uma revolta e um chic clássico.
honore de balzac Sobre Dândis e Antimoda Masculina
Era um homem do passado e do futuro. Wilson lembra que sobre o dândi Balzac (figura acima), como um grande representante da categoria, dizia que tinha como objetivo apenas ser ele próprio, sendo que sua perfeição em tudo o que não lhe era essencial na vida, era uma espécie de atuação aristocrática, Isto porque, segundo ele, o aristocrata modernoé sempre incógnito e, no entanto, sempre em exibição.
Símbolo ambulante de erotismo, o dandismo foi adulterado e vulgarizou-se, no final do século XIX, ao ser diretamente associado à homossexualidade. Lorde Byron, seu maior divulgador, é considerado o responsável pela substituição das ceroulas pelas calças e fala-se que foi o primeiro a usar calças de jeans, que eram muito largas, brancas durante o dia e escuras para noite. O traje era complementado por um casaco preto de lã, um colete com abotoamento alto e uma gravata muito estreita de tafetá. Byron é tido como a primeira estrela pop da cultura inglesa.
No século XIX, Baudelaire, fascinado pelo dandismo, vestia-se de preto para protestar contra a vulgaridade do vestuário nos círculos boêmios franceses, encarava o dandismo como uma procura da perfeição, uma forma de espiritualidade e, também como uma reação social a aquela época transitória, quando a democracia ainda não estava toda poderosa, apesar da aristocracia estar parcialmente destronada e desvalorizada.



Assim como Balzac, Baudelaire considerava o dândi um rebelde desencantado que tentava criar uma nova aristocracia do gênio, ou pelo menos do talento, soberbo, sem calor e cheio de melancolia.
Wilson fala do dandismo como um movimento que para além da moda, se expressava como movimento de contracultura (1989: 243), tão contraditório quanto a sociedade que lhe deu origem, porque este período transitório do capitalismo é permanente, condenado a constantes mudanças, vomita repetidamente rebeldes ambíguos, cuja rebeldia nunca é uma revolução, pelo contrário apenas uma afirmação do eu e acima de tudo anti-burguês.
O estilo que o dândi inventou introduziu através do vestuário convencional masculino, a antimoda e também o estilo de oposição.
A antimoda é a elegância que nunca chama atenção, a simplicidade que Chanel reinterpretou para as mulheres no século XX. É a tentativa de encontrar um estilo sem época, de eliminar por completo o elemento de mudança na moda.
O dandismo também continha os germes do estilo de moda de oposição que tem por finalidade expressar a dissidência ou as idéias diferentes de um dado grupo, ou das opiniões hostis à maioria conformista.
Ao introduzirem o cabelo cortado à escovinha no início do séc. XIX, sem pó-de-arroz para ambos os sexos e gravatas largas com nó desleixado, um ar de beleza desmazelado sugeria uma mente ilustrada acima do vestuário.
O desmazelo tem sido usado para sugerir uma profissão de artista ou intelectual, e vigora até nossos dias, como vimos com os jeans, comprados muitas vezes já surrados e rasgados como foi o caso da geração de 68.
O dândi, como herói romântico apareceu em muitos romances ingleses do século XIX. No período da Regência, e através do dandismo se iniciou o uso das roupas pretas no traje masculino, porque o preto era uma cor apropriada para um ser maligno que o herói modernotinha de ser e, para esse século, em luto por si próprio. O romance mais famoso deste estilo foi Pelham de Edward Lytton, publicado em 1828.
John Harvey (2001:197) em sua obra Homens de Preto, fala sobre o sentido de relacionar o uso do vestuário preto com o seu uso antigo, mais habitual, o luto, apesar de considerar estranha a relação entre o luto e a revolta.
Apesar de o preto não ter sido sempre a cor do luto, a especial ênfase no ritual do luto durante o século XIX, expressava tanto a seriedade profunda da sensibilidade evangélica vitoriana como a histeria generalizada dessa cultura. O exagero do luto de uma viúva demonstrava a riqueza do defunto patriarca. O luto profundo tinha a ver tanto com a reputação sexual como com as posses e propriedades de uma viúva, que em bom estado de amparo financeiro não precisaria de segundas núpcias.
O luto foi um negócio lucrativo no século XIX. Todas os magazines tinham seu departamento apropriado, onde as roupas podiam ser ajustadas na medida do cliente com muita rapidez. O luto só deixou de ser exigido após o período de penúria da Primeira Guerra. Hoje em dia, quase que desapareceu, na medida em que a cultura contemporânea fugiu da própria idéia da morte.
Como deixamos de usar o luto, o preto para os ocidentais passou a ser a cor da ira mais do que do desgosto. Seu uso associado aos uniformes fascistas passou a ter como carga simbólica a agressão. Foi também associada à revolta devido ao seu uso pelos anarquistas russos, porque segundo Wilson (1989: 253) o preto é uma cor dramática e faz apelo ao público de galeria como o traje de revolta deve sempre fazer.
Desde a Grécia antiga e, ainda confirmado pela cultura cristã, o preto fala da ausência de vida. Ligado à velhice, é elegante. Nos jovens, dá um aspecto assombroso e comovedor. É uma cor própria para o ambiente urbano.
O preto dândi era a cor da sobriedade burguesa. Foi subvertida, pervertida, tornou-se perigosa depois de ter sido erotizada pelo fascismo como uma completa filosofia da dominação, da crueldade e da irracionalidade.
Neste período os Estados Unidos também tinham sua boêmia ambientada em Greenwich Village, que era uma transplantação do submundo original dos homens de letras de Londres e Paris, um mundo de jovens jornalistas, escritores por encomenda, de artistas e desenhistas, cuja arte se dedicava ao efêmero, aos esboços e vinhetas da cena social corrente como vimos no personagem que encarna o pintor do filme Mary Poppins.
Os boêmios viviam à volta da Lower Broadway, nos anos de 1850, 60 e 70; por volta de 1900, tinham chegado a Greenwich Village, que era um centro de ebulição social, política e de estilos de vida experimentais das duas primeiras décadas do século XX. Lá, a sofisticação era o padrão erguido contra tudo o que era burguês.
Era a primeira cultura de juventude; nela as roupas que se vestiam tinham grande papel na participação do indivíduo de um grupo dentro de um grupo maior. Na Inglaterra, artistas e escritoras, com Virgínia Woolf, criavam o “vestuário estético” e, para fugir dos chifons eduardianos, recorriam ao mercado de roupas antigas e exóticas como moda de oposição que durou até fins dos anos 50 do século XX, como estilo alternativo de Chelsea, usado pelas estudantes de belas artes. Colecionavam saias grandes, com muitas cores, sandálias franciscanas e discos de Jazz.

A autora, Queila Ferraz Monteiro é estudiosa de História da Moda, é consultora de design e gestão industrial para confecção e Professora de História da Indumentária e Tecnologia da Confecção dos cursos de moda em diversas Faculdades. Queila também é professora de pós-graduação em Universidades como o Senac.

06 junho, 2010

O CASAMENTO NO ANTIGO EGITO


CASAMENTO
casamento no Antigo Egipto era um ato do foro privado, a concretização do desejo de viver em conjunto, sem qualquer tipo de enquadramento jurídico e sem necessidade de sanção religiosa.
língua egípcia não possuía uma palavra para "casamento". Apesar disso, os textos da literatura sapiencial, como o Ensinamento de Ptah-hotep, recomendam o homem a casar e a fundar uma família assim que as suas condições materiais o permitam. Nestes mesmos textos o homem é aconselhado a amar e a procurar agradar a sua esposa. A arte egípcia fez também eco da valorização do casamento, como atestam as esculturas e as pinturas nos túmulos nas quais o homem surge acompanhado pela sua esposa, que o abraça carinhosamente.
As mulheres egípcias casavam entre os 12 e os 14 anos, enquanto que os homens o fariam por volta dos 16, 17 anos. Estas idades podem parecer demasiado precoces, mas é necessário ter em conta a baixa esperança de vida que existia no Egipto nesta época.
A aprovação paterna era condição obrigatória para a realização do casamento, sendo concedida após as negociações com a família do pretendente. O noivadoconcretizava-se com a troca de presentes entre as famílias.
O casamento entre primos foi frequente, registando-se também um número significativo de casamentos entre tios paternos e sobrinhas e tias paternas e sobrinhos. O casamento entre irmãos existiu apenas na família real e tinha como objectivo fomentar a coesão; mesmo assim, deve ser referido que se tratava frequentemente de meios-irmãos.
Uma vez casados o casal instalava-se na sua casa, que era em princípio proporcionada pela família do homem. Esta também deveria fornecer terras e outros bens materiais necessários à vida em comum.
A autoridade máxima da casa residia no homem. A mulher casada precedia o seu nome com o título de "nebet-per", o que significa "a dona da casa"

O casamento entre os antigos egípcios era monogâmico, mas nos casos em que a condição económica o permitisse o homem poderia ter concubinas. Contudo, o estatuto destas era inferior à da esposa legítima. As concubinas poderiam viver na casa dos seus amantes, mas estavam sujeitas à vontade deste: se o homem deixasse de se sentir interessado por ela poderia expulsá-la. Os filhos que esta tivesse poderiam depois ser adotados pelo pai.Poligamia e concubinato

poligamia foi comum entre os faraós. Para além da esposa principal (a "grande esposa real"), os faraós tinham um harém integrado por várias mulheres. Os haréns possuíam uma estrutura hierarquizada, ocupando a "grande esposa real" o topo (esta estava presente nas cerimónias oficiais junto com o faraó, sendo em princípio o seu filho primogénito que sucederia ao faraó). O harém era de certa forma um prolongamento da vida política e diplomática, já que servia para cimentar alianças, quer fosse com as forças políticas que existiam no país (casamento do faraó com filhas dos governadores das províncias, por exemplo) ou com os países vizinhos.

Divórcio

O divórcio encontrava-se previsto em casos como o adultério ou a esterilidade. O adultério recriminado era o feminino. À semelhança do casamento não se verificava qualquer tipo de intervenção por parte da lei ou da religião.


DANDIS


Dandy também é a abreviatura científica do botánico inglês James Edgar Dandy.
Um dandi (do inglês dandy)é um homem quese considera elegante e refinado e apela ao dandismo, corrente de moda]] e de sociedade procedente da Inglaterra de finais do século XVIII.
O movimento dandi é uma doutrina da elegancia, da finura e a originalidad. Seu estilo afecta sobretudo à linguagem e a vestimenta.
A definição de um dandi poderia ser a de um homem de andares preciosos, original e rebuscado, e de linguagem escolhido. Mas o dandismo não é uma estética fixa, senão mais bem proteica. Costuma-se-lhe considerar como um exemplo de elegancia, saber estar, classe, porte, estilo, boas maneiras, uma pessoa educada e cultivada.
O dandismo constitui também uma metafísica, uma postura particular com respeito à questão do ser e do aparecer, bem como à modernidade. Numerosos autores, a maioria das vezes eles mesmos dandys, se interrogaram sobre seu sentido. Assim, em um contexto de decadência, Baudelaire identifica o dandismo como a última façanha possível, uma busca de distinción e de nobreza, de uma aristeia('excelencia') da aparência. Com freqüência identificado, sem razão, como uma simples frivolidad, dantes bem o dandismo é concebido por seus praticantes, sobretudo no século XIX, como umaascesis e uma disciplina extremamente rígida e exigente.
Conquanto durante a época victoriana este tipo de mentalidade já tinha sido concebida pelo movimento artístico e cultural dos Prerrafaelitas (entre cujos exponentes cabe destacar ao pintorDante Gabriel Rossetti), o dandi mais famoso foi Georges Brummell, também chamado «beau Brummell» ('belo Brummell'), árbitro da elegancia no corte inglesa. Seus mais conhecidos herdeiros foram Barbey d'Aurevilly e Baudelaire na França, e Oscar Wilde na mesma Inglaterra.





Costumava-se denominar dandy (dândi, em português) aquele homem de bom gosto e fantástico senso estético, mas que não necessariamente pertencia à nobreza.
O dandy é o cavalheiro perfeito, é um homem que escolhe viver a vida de maneira leviana e superficial. Como uma máscara, ou um símbolo, é uma subespécie de intelectual que não desprime o esteticismo e a beleza dos pormenores. É um pensador, contudo diletante, ocupando o seu tempo com lazer, actividades lúdicas e ociosas. Tem uma obsessão pela classe e é um dissidente do vulgar.
Dandys Famosos








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