| ||||||||||||||||||||||||||||||||
Pagina Oriente.com © 2007
|
QUEM SOU EU...
- JOYCE LIBBYR
- São Paulo, SP, Brazil
- SOCIÓLOGA,HISTORIADORA, EDUCADORA E ARTISTA PLÁSTICA. Sou buscadora e curiosa por natureza. Sou bruxa, sem poções e crendices infundadas, observo e me integro à terra e aos seus movimentos. Amo a vida, os animais, plantas e a natureza. Solitária por vocação, pois nela busco forças e encontro repouso. Avessa aos ritos impostos e às convenções sociais, procuro a minha verdade. Sou arisca e desprezo dogmas, eles são a perdição da humanidade. Sou humana e falível. Busco o melhor de cada crença. deletando as manipulações. Amo o silêncio, a força da natureza e o equilíbrio cósmico, acho que sou inqualificável... Sou real e palpável, mas também sei ser etérea e indecifrável, se me convier. Amo o conhecimento, o mistério, as brumas da sensibilidade. Se quiser me conhecer melhor, siga-me...
BEM VINDOS!!!!!!
Sintam se à vontade nesse pequeno espaço onde compartilho minhas idéias, pensamentos, denuncio injustiças, lanço questionamentos, principalmente em relação ao universo feminino e toda a sua complexidade.
Minhas postagens são resultados de pesquisas na internet, caso houver algum artigo sem os devidos crédito, por favor me notifiquem para que eu possa corrigir uma eventual falta.
Obrigada por sua visita.
Mostrando postagens com marcador Religião. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Religião. Mostrar todas as postagens
11 fevereiro, 2012
Santos Incorruptiveis
26 janeiro, 2012
CRISTIANISMO, BREVE HISTÓRIA...
| Cristianismo, breve história espiritual e política | |||||||||
| |||||||||
| Uma religião sempre começa com uma iniciativa do mundo espiritual, seu fundador é um enviado. Seu início é o mais alto possível depois do que o movimento está à mercê da história humana com todos os conflitos imagináveis. | |||||||||
| O cristianismo tem uma história singular, pois devido ao estado espiritual reinante no Império Romano há em seu nascimento um caráter de urgência e emergência ausente em outras religiões: | |||||||||
| 1. Jesus pregou por apenas três anos e foi condenado e morto por conflitos políticos, caso único. | |||||||||
| 2. A religião foi pregada em aramaico, escrita em grego e difundida em latim; sendo que estas línguas não tinham equivalentes para o conceito de pecado, para dar ideia da dificuldade. | |||||||||
| 3. Em todas as religiões multinacionais há expressas prescrições sobre a ordem social, podemos varrer o Novo Testamento, será em vão. Tudo teve que ser criado e improvisado no debate com o estoicismo, filosofia dominante na época. A cosmologia foi calcada no judaísmo e Agostinho legou uma antropologia bastante pessimista. | |||||||||
| 4. O cristianismo dos três primeiros séculos foi uma coleção desnorteante e heterogênea de movimentos, doutrinas e organizações. Restam ainda algumas evidências: as igrejas cristãs do Egito, Etiópia, Armênia, Síria e Líbano mantém suas próprias liturgias até hoje. Grupos ebionitas, nestorianos e monofisistas ainda estão atuantes. | |||||||||
| 5. O cristianismo se propagou inicialmente nas cidades, entre artesãos e escravos, isto levou a uma ênfase na doutrina básica em detrimento do desenvolvimento espiritual pleno. Mas em “São Paulo” podemos ver claramente a distinção de níveis (leite para as crianças, carne para os adultos). A nova religião sobreviveu graças à disposição ao martírio e à rede de solidariedade, fenômeno novo à época. [1] | |||||||||
| |||||||||
| papiros herméticos e no desenvolvimento do neoplatonismo. É preciso ainda lembrar que a feitiçaria corria solta, a arte do envenenamento progrediu, bem como o ceticismo (Lucrécio) e os cultos orientais eram celebrados como exotismos estimulantes contra o tédio. OSatyricom de Petrônio e as Metamorfoses, de Apuleio oferecem um bom panorama.[3] | |||||||||
| Quem estivesse em Roma não apostaria nem um centavo no triunfo da nova religião, oriunda dos judeus (um povo estranho e insubmisso na visão das autoridades romanas, ver Tácito, por exemplo), pregada por um homem supliciado na cruz (máxima humilhação) e propagando a igualdade (máxima heresia para os romanos). E no entanto triunfou, o que é uma evidência de ação espiritual, mas a que preço! O cristianismo foi chamado para brecar a dissolução do Império, virou uma religião de Estado no começo astronômico da era de Peixes. Seu primeiro concílio (Nicéia) foi convocado e dirigido por Constantino, e a Igreja modelou-se a partir do Estado: suas dioceses adaptavam-se às divisões administrativas do Império e a Igreja romana constitui-se (caso único) como Estado, com seu monarca, senado e burocracia. | |||||||||
| |||||||||
| O cristianismo oriental (língua grega) teve outro destino, esteve diretamente atrelado à sorte do Império Bizantino, propagou-se pelos Balcãs em direção à Rússia, produziu teólogos notáveis (os Gregórios), uma espiritualidade profunda e ao menos um místico notável: o pseudo-Dionísio, um monge sírio que escreveu tratados sobre os mundos celestiais, com forte impacto na Europa. Em 1054, Roma e Constantinopla desentenderam-se sobre um credo teológico e questões de jurisdição, depois, no século XIII, por ocasião da quarta cruzada, os barões europeus saquearam a cidade, selando a ruptura entre as duas correntes cristãs. | |||||||||
| O auge da Cristandade | |||||||||
| No século XI o cristianismo estava suficientemente forte para absorver influências de outras culturas: a iniciação da cavalaria germânica, a cultura céltica no ciclo do Graal, o esoterismo islâmico nas cortes de Amor provençais. As catedrais românicas e góticas testemunham as glórias do esoterismo maçom nas suas plantas, vitrais e esculturas. Com o estímulo das Universidades apareceram intelectuais do nível de Alberto Magno, Roger Bacon, Tomás de Aquino, Lúlio; e místicos do porte de São Francisco e Eckhart, além de uma coleção incrível de místicas como Hildegard, Brígida, Juliana e Catarina de Siena. Esta exuberância foi empanada pela forma desastrada na organização das Cruzadas, no modo de combate às heresias (Inquisição e reabilitação da tortura), nos debates sobre as riquezas da Igreja (franciscanos e movimentos populares) e na leniência em relação ao antissemitismo. | |||||||||
| |||||||||
| as reclamações dos papas quanto aos procedimentos. A burocracia das igrejas nacionais ficou cada vez mais sujeita aos reis. O Renascimento foi, na essência, um movimento de secularização e anticristão, e a Reforma só acelerou o processo com o estímulo ao individualismo e ao livre exame. | |||||||||
| As igrejas reformadas foram estatizadas e as guerras religiosas mataram milhões de pessoas (1550-1650), além de atiçarem os processos contra a feitiçaria.[4] Então o processo de secularização deu um passo adiante: o núncio papal foi despachado das conversações de paz que se seguiram à Guerra dos Trinta Anos. No século XVIII, monarcas católicos expulsaram a Ordem dos Jesuítas e obtiveram do Papa sua extinção, além de fecharem mosteiros por serem dispendiosos e inúteis. A passividade do Vaticano diante deste processo foi trágica, pois quando o Iluminismo ascendeu nenhuma mediação era mais possível: a Igreja ‘infame’ defendeu o Antigo Regime até o final. | |||||||||
| Enquanto isto o cristianismo oriental sofreria novo baque com a conquista turcomana de Constantinopla e o posterior assédio na Europa do leste. E, no entanto, sobreviveu; o sistema descentralizado de patriarcados mostrou-se muito útil diante desta adversidade e grupos cristãos puderam continuar sua marcha no Oriente Médio dominado por uma potência mulçumana. Estão lá até hoje e conservam suas liturgias. Neste tempo os cristãos europeus iriam iniciar sua expansão ultramarina do que resultaria um catolicismo sincrético na América Latina e uma verdadeira proliferação de igrejas reformadas nos EUA. A descoberta do Novo Mundo trouxe a primeira fenda na visão baseada na Bíblia: os ameríndios, de onde vieram, de que filho de Noé eles descendiam, tinham notícias do Dilúvio? As tentativas de evangelização no mundo islâmico e na Ásia apresentaram poucos resultados e provocaram profundos ressentimentos.[5] | |||||||||
| A Igreja e as práticas esotéricas | |||||||||
| O cristianismo teve que suportar outra singularidade, desta vez anômala. Conforme explicado acima, todas as religiões têm organizações para quem quer se aprofundar na espiritualidade, sem que isto encerre conflito agudo. Foi o caso da Qabbalah judaica e dos grupos sufis islâmicos que deram temas, cantos litúrgicos, pensadores e místicos amplamente reconhecidos. No cristianismo estes grupos afloraram rapidamente (séc. II), mas ao invés de trabalharem em sintonia, entraram em choque com o corpo da Igreja: repudiaram o Velho Testamento e o martírio, advogaram mulheres no sacerdócio e concorreram aos cargos hierárquicos, como o de Bispo (Valentino em Roma). Foram os grupos gnósticos, cujas doutrinas acolheram ecos de hermetismo e dos cultos dos Mistérios, num momento em que a Igreja ainda não tinha organização estabelecida e lutava tenazmente pela sobrevivência, a questão do martírio era essencial e a afirmação do livre arbítrio resultou no combate ao fatalismo imperante na época. A questão dos gnósticos voltou à tona com a descoberta dos papiros em Nag Hammadi, e outra vez os textos são tomados por biografias verídicas quando são documentos religiosos de um grupo cristão egípcio, escritos duzentos anos depois da morte de Jesus.[6] | |||||||||
| Durante toda a Idade Média os camponeses continuaram com seus rituais de fertilidade e festas, vindas da mais remota antiguidade. Os padres católicos e os ministros protestantes descobriram surpresos que o mundo rural europeu tinha apenas um verniz cristão e partiram para campanhas de evangelização, a partir do sec. XVI quando usaram e abusaram do terror do inferno e da figura do diabo, a pastoral do medo.[7] Nos últimos séculos medievais, a Europa recebeu um grande fluxo de manuscritos versando sobre alquimia, magia e astrologia, vagalhão só estancado no século XVII pelas monarquias que viam nestas práticas incentivos para a rebelião política.[8] | |||||||||
| Hermes Trimegisto – Mosaico na Cadetral de Siena | |||||||||
| Da magia cerimonial renascentista publicaram-se livros e artigos que preencheriam uma biblioteca. Apesar de alguns trabalhos valiosos, que estudam a conexão disto com o nascimento das modernas ciências empíricas, o essencial da coisa é perdida, pois os autores ignoram completamente a hierarquia dos saberes tradicionais, onde a magia cerimonial é um saber experimental do mundo intermediário, quer dizer ocupa um posto inferior. Além disto, agora era praticada por indivíduos solitários para aliviar as agruras da vida, em total consonância com o humanismo renascentista. Os autores renascentistas, que desde Ficino, se ocuparam com os textos herméticos não se deram conta da data de redação e muito menos do grau de iniciação que eles comportavam, com práticas meditativas insinuadas. Mas nestas alturas pouco se sabia na Europa sobre estas atividades. A abordagem da Qabbalah, por autores cristãos, também ignorava totalmente o lado prático desta corrente esotérica. Assim que o racionalismo se espalhou a partir do século XVII, a magia foi considerada uma ilusão deplorável, uma quimera insensata e uma exploração da credulidade humana. Naturalmente isto é uma tolice, a magia é perfeitamente real e possível em determinadas condições psíquicas que já eram raras no Renascimento. A feitiçaria foi declarada problema médico. É uma grande ironia que dois católicos ortodoxos (Descartes e Marsenne) tenham combatido o hermetismo renascentista e criado o moderno racionalismo mecanicista que muito colaborou para a dessacralização. | |||||||||
| A astrologia teve outro destino, também foi combatida como tolice humana, mas ela estava ligada à prática da medicina, agricultura e metereologia, o que dificultou sua extinção: os calendários anuais astrológicos continuaram a ser publicados. Ademais, era uma época de grande transformação social e as preocupações sobre o destino e a fortuna eram generalizadas. O Tarô, cujos primeiros baralhos foram impressos no século XV, prosseguiu sua carreira silenciosamente e só tornou-se objeto de consideração teórica no século XVIII. | |||||||||
| A Igreja romana não tentou reprimir estas manifestações, ao contrário acatou algumas: símbolos zodiacais estão presentes nas esculturas das catedrais e os herméticos também, a partir do Renascimento. O estilo greco-romano foi absorvido por toda arte visual cristã no período com total apoio papal: uma verdadeira revolução acontecia com a cumplicidade do Vaticano, pois apesar da temática religiosa esta arte visual dessacralizava o mundo.[9] A passividade da Igreja era grande e isto se refletiu na vida intelectual: nem sombra dos grandes intelectuais cristãos dos séculos XII e XIII. Mesmo no aspecto místico ocorreu um declínio, San Juan de La Cruz e Teresa D’Ávila foram os últimos no século XVII. Daí em diante a Igreja esteve intelectualmente na defensiva, tratando a Bíblia como depositária de ensinamentos astronômicos, históricos, geológicos etc. Foi o caminho para um conflito com as nascentes ciências empíricas que provocou mais confusão e isolou a Igreja dos intelectuais laicos. A partir do final do século XVIII o mundo ocidental foi moldado totalmente por forças seculares: liberais, positivistas e toda gama de socialistas. | |||||||||
| O cristianismo estava completamente despreparado para o mundo moderno oriundo da revolução industrial e do Estado laico. Finalmente ganhava independência, mas penou um bocado: a urbanização acelerada encontrou a Igreja com poucos sacerdotes, ideologias laicas antagônicas (liberalismo, socialismo e anarquismo) repudiaram sua presença. As congregações (marianas, sagrado coração) foram essenciais, pois a frequência aos cultos e sacramentos caíra muito no sec. XIX. Batalhas amargas sucederam-se pelo controle da educação primária. As visões de Anna Emmerich e as aparições da Virgem em Lourdes deram fôlego à devoção. No século XX, a Igreja finalmente se deu conta de que o Antigo Regime estava destruído e não havia volta: teria que aprender a atuar num mundo já secularizado, o que foi tema essencial no Concílio Vaticano II, na década de 1960. | |||||||||
| Os ataques à religião cristã | |||||||||
| Há um campo do saber que produziu toneladas de papel impresso, o campo dos estudos bíblicos. Por ironia ele teve seu início com um livro de um padre oratoriano, Richard Simon, que lançou em 1678 o livro “História crítica do Velho Testamento”, onde constatava que os textos sagrados estavam repletos de contradições e repetições, sendo resultado do trabalho de vários autores em diferentes épocas. Ainda estamos nisto, e os escribas modernos debatem se a passagem X é de origem javista, eloísta ou sacerdotal. Uma leitura literal e naturalista dos textos é um contrassenso e quem insistir nisto achará muitas contradições. Assim, a história da Criação é repetida no segundo capítulo do Bereshit (Gênesis) e o nome de Deus muda, Elohim no primeiro e Iaveh no segundo. Veem aí uma acomodação entre dois relatos diferentes, mas não é nada disto: são dois mundos diferentes! O primeiro é Beriah (espiritual) e o segundo refere-se à Yetzirah (formação, psíquico), daí a mudança do nome divino. Quanto às repetições, os autores modernos parecem ignorar que os textos eram entoados de forma detalhada, as repetições fazem o papel de refrão e que o som tem qualidades psíquicas fundamentais. Somente uma leitura espiritual resolve estas dificuldades e teria evitado polêmicas desnecessárias. O livro de Simom fez parte de um grande movimento tentando tornar o cristianismo racional, isto é, expurgá-lo de todo o mistério. No século XVIII a luta tornou-se abertamente política na França, com Voltaire e os enciclopedistas. | |||||||||
| |||||||||
| O resultado deste declínio religioso foram as matanças e horrores da primeira metade do século XX. Naturalmente os iluministas repudiam tal conexão, mas de que outro jeito explicar a recaída na barbárie? Novamente aqui os intelectuais cristãos brilharam pela ausência, e o assunto foi tratado por um grande poeta cristão, T. S. Eliot, em cuja obra a modernidade e suas ruínas são claramente tratadas como frutos do declínio religioso. Nada que pudesse se equiparar ao trabalho de De Maistre, um século antes. Entre os autores esotéricos destacou-se Rudolf Steiner que viu e promoveu a singularidade do cristianismo. | |||||||||
| Os Evangelhos são textos religiosos e dão escassas informações biográficas sobre Jesus. A medida que o individualismo prosperou e o interesse por novelas aumentou, as perguntas apareceram: como foi a infância de Jesus, e a adolescência? Esteve ligado a grupos religiosos? Como se isto tivesse qualquer importância para o entendimento da doutrina pregada. A curiosidade não é de hoje, pois escritos apócrifos muito antigos já abordavam estas questões. Na ausência de documentos os contemporâneos deram tratos à bola e criaram biografias fantasiosas, especialmente a partir da década de 1970, quando foi lançado o livro “Jesus viveu na Índia”, do teólogo alemão Holger Kersten. Ele observou certas semelhanças na vida de um cultuado guru indiano, Issa, cujo túmulo encontra-se em Caxemira e deduziu que Jesus teria sobrevivido à crucificação e terminado a vida na Índia. Se ele tivesse se dado ao trabalho de ler uma História das Religiões veria imediatamente que há um número grande de arquétipos na vida dos deuses, heróis e salvadores. Depois disto, muitos livros e filmes abordaram o assunto e em todos sempre o mesmo objetivo: humanizar Jesus, esquecendo a questão espiritual. | |||||||||
| Diante da avalanche de ceticismo, baseada em controvérsias científicas, alguns cristãos levantaram dinheiro em fundações para achar Sodoma e Gomorra no mar Morto, vestígios da passagem judaica no Sinai, os restos da arca de Noé no monte Ararat, o Jardim do Éden no Iraque, o lugar onde João Batista pregava e batizava no Rio Jordão, as casas dos apóstolos, etc. Sem notarem que isto é o triunfo completo do materialismo. Não vemos judeus, mulçumanos ou budistas fazendo isto. A TV a cabo está repleta de documentários tentando provar que esta ou aquela passagem da Bíblia está correta, que aconteceu verdadeiramente. Quem assim pensa e se preocupa já não entende que estes textos não são historiografia e biografia: muito mais importante que verificar a realidade dos fatos do livro do Êxodo, é compreender que se trata do relato de uma grande iniciação: deixar a escravidão para ir à Terra prometida, há aí dezenas de sentidos alegóricos. O mesmo pode ser dito a propósito das parábolas de Jesus que são tomadas apenas num sentido moral, quando na realidade vão muito além. | |||||||||
| Procura de vestígios da passagem judaica no Sinai. | |||||||||
| Ao insistir nos cultos e na moral e deixar a doutrina espiritual ao relento, os cristãos viram seus contemporâneos e conterrâneos cada vez mais interessados nas religiões orientais e seus esoterismos. Desde o Renascimento muitos europeus se dedicaram a ler, reler e espremer manuscritos de tradições mortas na esperança de preencher um vazio. O que resultou disto foi um bazar esotérico sincrético, onde cada um faz o arranjo que lhe convém, e cujos resultados não são muito promissores. Mesmo o transplante de tradições vivas é sempre complicado: o budismo tibetano é esplendoroso, resultado de séculos de história envolvendo um modo de vida, uma língua, uma culinária, enfim, uma cultura que não é possível transplantar para outros lugares. Agora temos uma doutrina védica anódina para ocidentais e taoísmo para executivos. | |||||||||
| Numa era de comunicações de massa, os cristãos tentaram uma atualização problemática com pastores televangélicos patrocinando shows de milagres e teologias de prosperidade para os mais desamparados. A onda propagou-se para a América Latina no vácuo criado pela abolição da Teologia da libertação e das comunidades eclesiais de base, e agora o movimento ruma à África. Os católicos debatem-se com pedofilia em suas próprias fileiras, com a ascensão do movimento gay, métodos contraceptivos, novidades em biotecnologia e outros fenômenos da modernidade. Os cristãos orientais, minoria no Oriente Médio, sofrem em meio ao tumulto dos conflitos da área e se transformam em bodes expiatórios. | |||||||||
| |||||||||
| claro na famosa passagem da conversa com Nicodemos sobre a questão dos dois batismos. Nossos amigos espíritas interpretaram equivocadamente a referida passagem como alusão à reencarnação, quem conhece um pouco da história das correntes iniciáticas de então, não tem nenhuma dúvida. Houve um ensinamento especial e diferenciado no início para os mais próximos discípulos, os textos mostram; São Paulo, Clemente e outros atestam. Para vencer o secularismo da modernidade é preciso oferecer alimento sólido e é bom se apressar, pois se a profecia de São Malaquias for real restam somente dois papas antes da crise. | |||||||||
29 maio, 2010
SANTA CATARINA
A Lenda da Conversão
Em uma visão, Catarina foi transportada para o céu, encontrou-se com o menino Jesus e a Virgem Maria e, em êxtase, casou-se misticamente com Cristo, convertendo-se ao cristianismo. Ela tinha, na época, 18 anos de idade.
Foi então à "presença do imperador romano Maximino, que perseguia violentamente os cristãos, censurando-o por sua crueldade. Apontou a limitação do imperador, por crer em falsos deuses, e afirmou que seu Deus era o único realmente vivo e o seu Rei era Jesus Cristo".
O imperador, segundo a lenda, "mandou prende-la no cárcere, até que viessem os 50 maiores sábios do mundo, e a humilhassem quanto à sua argumentação aparentemente simples".
Quando chegaram, "os sábios riram-se do imperador, por tê-los convocado para contra-argumentar com uma simples garota. Porém o imperador os advertiu que, se conseguissem convencê-la, ele os presentearia com os melhores bens do mundo, mas se não conseguissem, ele os condenaria à morte". Catarina, segundo versão da lenda, "foi tão plenamente sábia nas suas colocações e argumentos que mesmo diante desta ameaça, os sábios não conseguiram convertê-la aos ídolos. Pelo contrário, vencidos pela eloqüência de Catarina, converteram-se ao cristianismo". Frustrado, "o imperador mandou prender e torturar Catarina na masmorra. Visitada na prisão pela esposa do imperador e pelo chefe de sua guarda, Catarina os converteu, fazendo o mesmo com inúmeros soldados." Mais enfurecido ainda, o "imperador mandou assassinar os sábios e sua esposa, lançou os guardas aos leões no Coliseu" e condenou a Santa à morte lenta na "roda com lâminas", instrumento de tortura que mutilava e causava grande sofrimento. Dizem os relatos mitológicos que a "roda explodiu, ou pelo toque de Catarina ou pela intervenção dos anjos". Ao determinar sua execução, "apareceu-lhe o Arcanjo Miguel para confortá-la e Catarina rezou a Cristo" suplicando que "em nome do seu martírio Deus ouvisse as orações de todos aqueles que a ele recorressem e tudo obtivessem por sua intercessão". Por fim, "Catarina de Alexandria morreu decapitada e conta a lenda que ao invés de sangue saiu leite e por isso as mães que amamentam recorrem também a sua intercessão".
A lenda diz ainda que o corpo de Catarina desapareceu milagrosamente, sendo transportado por anjos para o topo de Jebel Katerina, o pico mais alto da península do Sinai. Três séculos mais tarde, o seu corpo, supostamente incorrupto, foi encontrado por monges e levado para o Mosteiro da Transfiguração, onde algumas das suas relíquias e o seu nome ficaram até hoje.
Histórias narram que foi ouvindo a voz de Santa Catarina que Joana d'Arc encontrou a espada, que usaria em sua missão e mudaria a história da França. Junto de "Santa Margarida e do Arcanjo São Miguel, era uma das vozes que falavam com ela e a instruíram na sua missão de salvar a França".
Santa Catarina é considerada padroeira dos estudantes, filósofos e professores e também invocada pelos que trabalham com rodas e contra acidentes de trabalho. No Brasil, é a padroeira principal do Estado e da Ilha de Santa Catarina e co-padroeira da Catedral metropolitana de Florianópolis.
Historiadores e pesquisadores de tendência positivista acreditam que Catarina, muito provavelmente, possa não ter, sequer, existido de fato. Para eles a ausência de documentos históricos e o aspecto lendário e até absurdo de sua mitológica vida levam a crer que ela representa um ideal, talvez a versão cristã da filósofa Hipátia de Alexandria, cuja biografia apresenta exatamente os mesmos elementos da lenda de Catarina.
Em 1969, a Igreja Católica eliminou do Calendário Litúrgico Universal a celebração do dia 25 de novembro, em memória de seu martírio, em função da falta de evidências históricas de sua existência. Essa retirada foi mal interpretada como uma cassação, pois Santa Catarina de Alexandria continua a ser legitimamente venerada nos calendários particulares das dioceses e paróquias. As razões da atual revisão histórica são: a) a descoberta de afrescos dos séculos IX e VIII, em Roma e Nápolis, com a identificação de seu nome Ekaterina; b) diante dessa descoberta hoje não é mais possível afirmar que seu culto começou apenas à época dos cruzados; c) devemos salientar o princípio de que não é o documento que está na origem do culto e que não parece científico negar sua historicidade a partir do argumento de escacez documentária; d) devemos também frisar a distinção hermanêutica entre o núcleo histórico e legendário nas narrativas; e) por fim, é mister refletir que entre as mártires de historicidade comprovada na perseguição de Maximino, a Tradição cristã, por circunstâncias não bem esclarecidas, pouco a pouco declinou o nome Catarina.
SANTA BÁRBARA
Santa Bárbara sofreu o martírio provavelmente no Egito ou na Antioquia, por volta dos anos 235 ou 313. Sua vida foi escrita em diversos idiomas: grego, siríaco, armênio e latim. Conforme a lenda, Santa Bárbara era uma jovem belíssima. Dióscoro, seu pai, era um pagão ciumento. A todo custo desejava resguardar a filha dos pretendentes que a queriam em.
Por isso encerrou-a numa torre. Na torre havia duas , mas Santa Bárbara mandou contruir uma terceira, em honra à Santíssima Trindade. Um dia, entretanto, Dióscoro viajou. Santa Bárbara se fez então batizar, atraindo a ira do próprio pai. Fugindo de seu perseguidor, os rochedos abriam-se para que ela passasse.
Descoberta e denunciada por um pastor, foi capturada pelo pai e levada perante o tribunal. Santa Bárbara foi condenada a ser exibida nua por todo o país. Deus, porém, se compadeceu de sua sorte, vestindo-a miraculosamente com um suntuoso manto. Padeceu toda sorte de suplícios: foi queimada com grandes tochas e teve os seios cortados. Foi executada pelo próprio pai, que lhe cortou a cabeça com uma espada. Logo após sua morte, um raio fulmonou seu assassino.
É por isso que Santa Bárbara é invocada, nas tempestades, contra o raio. O seu culto espalhou-se rapidamente pelo Oriente e pelo Ocidente, inclusive no .
- Sincretismo da Santa Bárbara: Yansan ou Oyá
- Devoção da Santa Bárbara: Protetora contra raios e tempestades. Santa Bárbara é também venerada pelos militares.
- Data Comemorativa: 4 de Dezembro.
SÃO JORGE
São Jorge é o santo patrono da Inglaterra, Portugal, Geórgia, Catalunha, Lituânia, da cidade de Moscovo e, extra-oficialmente, da cidade do Rio de Janeiro (título oficialmente atribuído a São Sebastião), além de ser padroeiro dos escoteiros e do S.C Corinthians Paulista. No dia 23 de Abril comemora-se seu martírio. Ele também é lembrado no dia 3 de novembro, quando, por toda parte, se comemora a reconstrução da igreja dedicada a ele, em Lida (Israel), onde se encontram suas relíquias, erguida a mando do imperador romanoConstantino I. Há uma tradição que aponta o ano 303 como ano da sua morte. Apesar de sua história se basear em documentos lendários e apócrifos (decreto gelasiano do século VI), a devoção a São Jorge se espalhou por todo o mundo. A devoção a São Jorge pode ter também suas origens na mitologia nórdica, pela figura de Sigurd, o caçador de dragões
De acordo com a lenda, Jorge teria nascido na antiga Capadócia, região do sudeste da Anatólia que, atualmente, faz parte da República da Turquia. Ainda criança, mudou-se para a Palestina com sua mãe após seu pai morrer em batalha. Sua mãe, ela própria originária da Palestina, Lida, possuía muitos bens e o educou com esmero. Ao atingir a adolescência, Jorge entrou para a carreira das armas, por ser a que mais satisfazia à sua natural índole combativa. Logo foi promovido a capitão do exército romano devido a sua dedicação e habilidade — qualidades que levaram o imperador a lhe conferir o título de conde da Capadócia. Aos 23 anos passou a residir na corte imperial emNicomédia, exercendo a função de Tribuno Militar.
História
Nesse tempo sua mãe faleceu e ele, tomando grande parte nas riquezas que lhe ficaram, foi-se para a corte do Imperador. Jorge, ao ver que urdia tanta crueldade contra os cristãos, parecendo-lhe ser aquele tempo conveniente para alcançar a verdadeira salvação, distribuiu com diligência toda a riqueza que tinha aos pobres.
O imperador Diocleciano tinha planos de matar todos os cristãos e no dia marcado para o senado confirmar o decreto imperial, Jorge levantou-se no meio da reunião declarando-se espantado com aquela decisão, e afirmou que os ídolos adorados nos templos pagãos eram falsos deusesTodos ficaram atônitos ao ouvirem estas palavras de um membro da suprema corte romana, defendendo com grande ousadia a fé em Jesus Cristo. Indagado por um cônsul sobre a origem dessa ousadia, Jorge prontamente respondeu-lhe que era por causa da Verdade. O tal cônsul, não satisfeito, quis saber: "O que é a Verdade?". Jorge respondeu-lhe: "A Verdade é meu Senhor Jesus Cristo, a quem vós perseguis, e eu sou servo de meu redentor Jesus Cristo, e Nele confiando me pus no meio de vós para dar testemunho da Verdade."
Os restos mortais de São Jorge foram transportados para Lida (Antiga Dióspolis), cidade em que crescera com sua mãe. Lá ele foi sepultado, e mais tarde o imperador cristão Constantino mandou erguer suntuoso oratório aberto aos fiéis, para que a devoção ao santo fosse espalhada por todo o Oriente.Como Jorge mantinha-se fiel ao cristianismo, o imperador tentou fazê-lo desistir da fé torturando-o de vários modos. E, após cada tortura, era levado perante o imperador, que lhe perguntava se renegaria a Jesus para adorar os ídolos. Todavia, Jorge reafirmava sua fé, tendo seu martírio aos poucos ganhado notoriedade e muitos romanos tomado as dores daquele jovem soldado, inclusive a mulher do imperador, que se converteu ao cristianismo. Finalmente, Diocleciano, não tendo êxito, mandou degolá-lo no dia 23 de abril de 303, em Nicomédia (Ásia Menor).
Pelo século V, já havia cinco igrejas em Constantinopla dedicadas a São Jorge. Só no Egito, nos primeiros séculos após sua morte, construíram-se quatro igrejas e quarenta conventos dedicados ao mártir. Na Armênia, em Bizâncio, no Estreito de Bósforo na Grécia, São Jorge era inscrito entre os maiores santos da Igreja Católica.
Disseminação da devoção a São Jorge
Castelo de São Jorge, Lisboa
Na Itália, era padroeiro da cidade de Gênova. Frederico III da Alemanha dedicou a ele uma Ordem Militar. Desde Dom Nuno Álvares Pereira, o santo é reconhecido como padroeiro de Portugal e do Exército. Na França, Gregório de Tours era conhecido por sua devoção ao santo cavaleiro; o Rei Clóvisdedicou-lhe um mosteiro, e sua esposa, Santa Clotilde, mandou erguer várias igrejas e conventos em sua honra. A Inglaterra foi o país ocidental onde a devoção ao santo teve papel mais relevante.
O monarca Eduardo III colocou sob a proteção de São Jorge a Ordem da Jarreteira, fundada por ele em 1330. Por considerá-lo o protótipo dos cavaleiros medievais, o rei inglês Ricardo I, comandante de uma das primeirasCruzadas, constituiu São Jorge padroeiro daquelas expedições que tentavam conquistar a Terra Santa dosmuçulmanos. No século XIII, a Inglaterra já celebrava o dia dedicado ao santo e, em 1348, criou a Ordem dos Cavaleiros de São Jorge. Os ingleses acabaram por adotar São Jorge como padroeiro do país, imitando os gregos, que também trazem a cruz de São Jorge na sua bandeira.
Ainda durante a Grande Guerra, muitas medalhas de São Jorge foram cunhadas e oferecidas aos enfermeiros militares e às irmãs de caridade que se sacrificaram ao tomar conta dos feridos de guerra.
As artes, também, divulgaram amplamente a imagem do santo. Em Paris, no Museu do Louvre, há um quadro famoso de Rafael, intitulado São Jorge vencedor do Dragão. Na Itália, existem diversos quadros célebres, como um de autoria de Donatello.
A imagem brasileira de São Jorge seria, possivelmente, de autoria de Martinelli.
]
Padroeiro da Inglaterra
Não há consenso, porém, a respeito da maneira como teria se tornado patrono da Inglaterra. Seu nome era conhecido pelos ingleses e irlandeses muito antes da conquista normanda, o que leva a crer que os soldados que retornavam das cruzadas influíram bastante na disseminação de sua popularidade. Acredita-se que o santo tenha sido escolhido o padroeiro do reino quando o rei Eduardo III fundou a Ordem da Jarreteira, também conhecida como Ordem dos Cavaleiros de São Jorge, em 1348.De acordo com a história da Ordem da Jarreteira, Rei Artur, no século VI,colocou a imagem de São Jorge em suas bandeiras. Em 1415, a data de sua comemoração tornou-se um dos feriados mais importantes do país.
Hoje em dia na Inglaterra, todavia, a festa de São Jorge comemorada todo dia 23 de abril tem tido menos popularidade ao longo das últimas décadas. Algumas rádios locais, como a BBCjá chegaram a promover enquetes perguntando qual seria, de acordo com a opinião pública, o orago dos ingleses, e eis que o eleito foi Santo Alba. Muitos fatores contribuíram a isso. Primeiramente por ter sido substituído, segundo bula do Papa Leão XIII de 2 de junho de 1893, por São Pedro como padroeiro da Inglaterra — recomendação que perdura até hoje.
Posteriormente, pelas reformas do Papa Paulo VI, São Jorge foi rebaixado a santo menor de terceira categoria (segundo hierarquia católica), cujo culto seria opcional nos calendários locais e não mais em caráter universal. No entanto, a reabilitação do santo como figura de primeira instância, e arcanjo, lembrando a figura do próprio Jesus Cristo; pelo Papa João Paulo IIem 2000, conferiu nova relevância a São Jorge. Atualmente, haja vista a grande popularidade e apelo turístico de festas como a escocesa St. Andrew's Day, a irlandesa St. Patrick's Day e mesmo a galesa St. Dave's Day, têm-se formado grande iniciativa de setores nacionalistas para que o St. George's Day volte a gozar da mesma popularidade entre os ingleses como antigamente.
]
Padroeiro de Portugal
Pensa-se que os Cruzados ingleses que ajudaram o Rei Dom Afonso Henriques a conquistar Lisboa em 1147 terão sido os primeiros a trazer a devoção a São Jorge para Portugal. No entanto, só no reinado de Dom Afonso IV de Portugal que o uso de São Jorge!! como grito de batalha se tornou regra, substituindo o anterior Sant'Iago!! O Santo Dom Nuno Álvares Pereira, Condestável do Reino, considerava São Jorge o responsável pela vitória portuguesa na batalha de Aljubarrota. O Rei Dom João I de Portugal era também um devoto do Santo, e foi no seu reinado que São Jorge substituiu Santiago como patrono de Portugal. Em 1387, ordenou que a sua imagem a cavalo fosse transportada na procissão do corpo de Cristo. Assim, séculos mais tarde, chegaria ao Brasil.
Padroeiro da Catalunha
A presença documental da devoção a São Jorge em terras catalãs remonta ao século VIII: documentos da época falam de um sacerdote de Tarragona chamado Jorge que fugiu para aItália. Já no século X, um bispo de Vic tinha o nome de Jorge, e no século XI o abade Oliba consagrou um altar dedicado ao santo no mosteiro de Ripoll. Encontram-se exemplos do culto a São Jorge dessa época, na consagração de capelas, altares e igrejas em diversos pontos da Catalunha. Os reis catalães mostraram a sua devoção a São Jorge: Tiago I de Catalunha explica em suas crônica que foi visto o santo ajudando os catalães na conquista da cidade de Malorca; Pedro o Cerimonioso fundou uma ordem de cavalaria sob a sua proteção; Afonso, o Magnânimo dedicou-lhe capelas nos reinos da Sardenha e Nápoles.
Os reis e a Generalidade da Catalunha impulsionaram a celebração da festa de São Jorge por todas as regiões catalãs. Em Valência, em 1343, já era uma festa popular; em 1407,Mallorca celebrava-a publicamente. Em 1436, a Generalidade da Catalunha propôs, nas côrtes reunidas em Montsó, a celebração oficial e obrigatória de São Jorge; em 1456, as côrtes reunidas na Catedral de Barcelona ditaram uma constituição que ordenava a festa, inclusa no código das Constituições da Catalunha. As remodelações do Palácio da Generalidade (sede do governo catalão) feitas durante o século XV são a prova mais clara da devoção impulsionada por esse órgão público, ao colocar um medalhão do santo na fachada gótica e ao construir no interior a capela de São Jorge.
A Lenda do Dragão e da Princesa
Baladas medievais contam que Jorge era filho de Lorde Albert de Coventry. Sua mãe morreu ao dá-lo à luz e o recém nascido Jorge foi roubado pela Dama do Bosque para que pudesse, mais tarde, fazer proezas com suas armas. O corpo de Jorge possuia três marcas: um dragão em seu peito, uma jarreira em volta de uma das pernas e uma cruz vermelho-sangue em seu braço. Ao crescer e adquirir a idade adulta, ele primeiro lutou contra os sarracenos e, depois de viajar durante muitos meses por terra e mar, foi para Syle´n, uma cidade da Líbia.
Nesta cidade, Jorge encontrou um pobre eremita que lhe disse que toda a cidade estava em sofrimento, pois lá existia um enorme dragão cujo hálito venenoso podia matar toda uma cidade, e cuja pele não poderia ser perfurada nem por lança e nem por espada. O eremita lhe disse que todos os dias o dragão exigia o sacrifício de uma bela donzela e que todas as meninas da cidade haviam sido mortas, só restando a filha do rei, Sabra, que seria sacrificada no dia seguinte ou dada em casamento ao campeão que matasse o dragão.
Ao ouvir a história, Jorge ficou determinado em salvar a princesa. Ele passou a noite na cabana do eremita e quando amanheceu partiu para o vale onde o dragão morava. Ao chegar lá, viu um pequeno cortejo de mulheres lideradas por uma bela moça vestindo trajes de pura seda árabe. Era a princesa, que estava sendo conduzida pelas mulheres para o local do sacrifício. São Jorge se colocou na frente das mulheres com seu cavalo e, com bravas palavras, convenceu a princesa a voltar para casa.
O dragão, ao ver Jorge, sai de sua caverna, rosnando tão alto quanto o som de trovões. Mas Jorge não sente medo e enterra sua lança na garganta do monstro, matando-o. Como o rei do Marrocos e do Egito não queria ver sua filha casada com um cristão, envia São Jorge para a Pérsia e ordena que seus homens o matem. Jorge se livra do perigo e leva Sabra para a Inglaterra, onde se casa e vive feliz com ela até o dia de sua morte, na cidade de Coventry.
De acordo com a outra versão, Jorge acampou com sua armada romana próximo a Salone, na Líbia. Lá existia um gigantesco crocodilo alado que estava devorando os habitantes da cidade, que buscaram refúgio nas muralhas desta. Ninguém podia entrar ou sair da cidade, pois o enorme crocodilo alado se posicionava em frente a estas. O hálito da criatura era tão venenoso que pessoas próximas podiam morrer envenenadas. Com o intuito de manter a besta longe da cidade, a cada dia ovelhas eram oferecidas à fera até estas terminarem e logo crianças passaram a ser sacrificadas.
O sacrifício caiu então sobre a filha do rei, Sabra, uma menina de quatorze anos. Vestida como se fosse para o seu próprio casamento, a menina deixou a muralha da cidade e ficou à espera da criatura. Jorge, o tribuno, ao ficar sabendo da história, decidiu pôr fim ao episódio, montou em seu cavalo branco e foi até o reino resgatá-la. Jorge foi até o reino resgatá-la, mas antes fez o rei jurar que se a trouxesse de volta, ele e todos os seus súditos se converteriam ao cristianismo. Após tal juramento, Jorge partiu atrás da princesa e do "dragão". Ao encontrar a fera, Jorge a atinge com sua lança, mas esta se despedaça ao ir de encontro à pele do monstro e, com o impacto, São Jorge cai de seu cavalo. Ao cair, ele rola o seu corpo, até uma árvore de laranjeira, onde fica protegido por ela do veneno do dragão até recuperar suas forças.
Ao ficar pronto para lutar novamente, Jorge acerta a cabeça do dragão com sua poderosa espada Ascalon. O dragão derrama então o veneno sobre ele, dividindo sua armadura em dois. Uma vez mais, Jorge busca a proteção da laranjeira e em seguida, crava sua espada sob a asa do dragão, onde não havia escamas, de modo que a besta cai muito ferida aos seus pés. Jorge amarra uma corda no pescoço da fera e a arrasta para a cidade, trazendo a princesa consigo. A princesa, conduzindo o dragão como um cordeiro, volta para a segurança das muralhas da cidade. Lá, Jorge corta a cabeça da fera na frente de todos e as pessoas de toda cidade se tornam cristãs.
O dragão (o demônio) simbolizaria a idolatria destruída com as armas da Fé. Já a donzela que o santo defendeu representaria a província da qual ele extirpou as heresias.
São Jorge, a Lua e os Orixás
A ligação de São Jorge com a lua é algo puramente brasileiro, com forte influência da cultura africana. Tal associação se dá porque na religião do candomblé, predominantemente na Bahia, o santo é associado a Oxossi, orixá associado à lua. Na religião da umbanda, o santo é associado a Ogum. A tradição diz que as manchas apresentadas pela lua representam o milagroso santo, seu cavalo e sua espada pronto para defender aqueles que buscam sua ajuda.Oração a São Jorge
Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos eles possam me fazer mal.
Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.
Jesus Cristo, me proteja e me defenda com o poder de sua santa e divina graça, Virgem de Nazaré, me cubra com o seu manto sagrado e divino, protegendo-me em todas as minhas dores e aflições, e Deus, com sua divina misericórdia e grande poder, seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meu inimigos.
Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas, defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza, e que debaixo das patas de seu fiel ginete meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós. Assim seja com o poder de Deus, de Jesus e da falange do Divino Espírito Santo.
São Jorge Rogai por Nós.
Oração a São Jorge II
São Jorge,cavaleiro corajoso, intrépido e vencedor; abre os meus caminhos, ajuda-me a conseguir um bom emprego; faze com que eu seja bem quisto por todos superiores, colegas, e subordinados; que a paz, o amor e a harmonia estejam sempre presentes no meu coração, no meu lar e no meu serviço; meus inimigos terão os olhos e não me verão, terão boca e não me falarão, terão pés e não me alcançarão, terão mãos e não e não me ofenderão.
São Jorge vela por mim e pelos meus, protegendo-me com suas armas.
O meu corpo não será preso nem ferido, nem meu sangue derramado; andarei tão livre como andou Jesus Cristo nove meses no ventre da Virgem Maria.
Amém.
Oração a São Jorge III
Ó Deus onipotente,
Que nos protegeis
Pelos méritos e as bênçãos
De São Jorge.
Fazei que este grande mártir,
Com sua couraça,
Sua espada,
E seu escudo,
Que representam a fé,
A esperança,
E a inteligência,
Ilumine os nossos caminhos...
Fortaleça o nosso ânimo...
Nas lutas da vida.
Dê firmeza
À nossa vontade,
Contra as tramas do maligno,
Para que,
Vencendo na terra,
Como São Jorge venceu,
Possamos triunfar no céu
Convosco,
E participar
Das eternas alegrias.
Amém!
Medalha de São Jorge
Moacyr Luz e Aldir Blanc
Fica ao meu lado, São Jorge Guerreiro Com tuas armas, teu perfil obstinado
Me guarda em ti, meu Santo Padroeiro
Me leva ao céu em tua montaria
Numa visita a lua cheia
Que é a medalha da Virgem Maria
Do outro lado, São Jorge Guerreiro
Põe tuas armas na medalha enluarada
Te guardo em mim, meu Santo Padroeiro
A quem recorro em horas de agonia
Tenho a medalha da lua cheia
Você casado com a Virgem Maria
O mar e a noite lembram a Bahia
Orgulho e força, marcas do meu guia
Conto contigo contra os perigos
Contra o quebrando de uma paixão
Deus me perdoe essa intimidade:
Jorge me guarde no coração
Que a malvadeza desse mundo é grande em extensão
E muita vez tem ar de anjo
E garras de dragão
Assinar:
Postagens (Atom)
SEGUIDORES
CONTADOR DE VISITAS
TOP 10 - MAIS LIDOS
-
A primeira mulher a participar de um grupo de cangaceiros. Assim foi Maria Gomes de Oliveira, conhecida como Maria Bonita. Nascida em 8 de...
-
O Cinto de castidade foi um acessório projetado para ser usado sobre o ventre, envolvendo totalmente os órgãos genitais e trancado a...
-
Saartjie Baartman: A Vênus Hotentote Imagem capturada na Internet (Google) Saartjie Baartman ou Sarah Baartman . A mais fam...
-
Princesas contos de fadas da vida real ! Vestido certo o dia mais importante da Noiva. E quando os olhos de todo o mundo e...
-
História do Corset A origem da palavra corset é a palavra francesa corps (corpo), que deriva do latim corpus. Nenhuma outr...
-
A origem da morte por apedrejamento, questão reavivada com a condenação da nigeriana Amina Lawal, é remota — a prática já exi...
-
O Fascínio de adultos por crianças é tão antigo quanto a humanidade. Pinturas que retratam homens mantendo relações sexuais com adolescent...
-
Lucrécia Bórgia ( Subiaco , 18 de abril de 1480 — Ferrara , 24 de junho de 1519 ) foi a filha ilegítima de Rodri...
-
JOANA D'ARC - Arte Tumular - 321 - Place du Vieux Marché, Rouen, França. Local da fogueira Local onde foi qu...
BLOGS QUE EU SIGO
MEUS FILMES PREFERIDOS
- A CASA DOS ESPÍRITOS
- A CONDESSA DE SANGUE
- ANA DOS MIL DIAS
- AS BRUMAS DE AVALON
- COCO ANTES DE CHANEL
- DRÁCULA
- E O VENTO LEVOU
- ELIZABETH I
- ENTREVISTA COM O VAMPIRO
- ER ( A SÉRIE)
- MARIA ANTONIETA
- MEMÓRIAS DE UMA GUEIXA
- MOÇA COM BRINCO DE PÉROLAS
- O PIANO
- O PODEROSO CHEFÃO ( TRILOGIA)
- ORGULHO E PRECONCEITO
- RAZÃO E SENSIBILIDADE
- ROMEU E JULIETA
- SPARTACUS SÉRIE
- THE BORGIAS série
- THE TUDORS (A SÉRIE)
TOTAL DE VISUALIZAÇÕES
TEMAS ABORDADOS
ARTE
(8)
ARTE TUMULAR
(2)
BIOGRAFIA
(24)
CITAÇÕES E FRASES
(3)
COMPORTAMENTO
(4)
CRÔNICAS
(10)
DENÚNCIA
(9)
HIGIENE
(2)
HISTÓRIA
(1)
Imagens
(1)
LITERATURA
(5)
MAQUIAGEM I
(1)
MAQUIAGEM II
(1)
MITOLOGIA EGÍPCIA
(2)
MITOLOGIA GRECO-ROMANA
(1)
MODA
(3)
MULHERES CÉLEBRES
(8)
MULHERES NO PODER
(2)
MULHERES SANTAS
(5)
POESIA
(2)
RAINHAS
(12)
Religião
(8)
SEXUALIDADE
(3)
Sociologia
(6)
TARÔ
(8)
UNIVERSO FEMININO
(13)
USOS E COSTUMES
(12)
VÍDEOS
(3)
TRANSLATE
LUNA
CURRENT MOON
CALENDÁRIO
OBRIGADA PELA VISITA!!!!


